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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Viagens e Turismo

Sua Cidade é Turística? Por Marília Paes

Na coluna de Hoje Marília fala que ter potencialidade turística é maravilhoso, mas sem planejamento e sem uma gestão adequada, o turismo pode, de fato, acabar com o turismo

Postado em 26/02/2021 12:57

Marília Paes Turismóloga Turismóloga e Consultora em Hospitalidade

Na coluna da semana passada, falamos um pouco sobre a retomada, ainda que de forma sutil, da atividade turística em algumas localidades, neste momento de pandemia pelo qual estamos passando. Contudo, vale a pena pararmos pra pensar em uma questão muito simples, mas muitas vezes deixada de lado, que é: nossa cidade é, de fato, uma cidade turística? Ou temos apenas potencial turístico? Ou nem isso ainda? Podem parecer a mesma coisa, mas na realidade são coisas bem distintas.

Sem querer dar aula aqui, muito embora seja uma das coisas que mais amo fazer, é preciso entender a diferença de conceituação dessas situações.

Afinal, uma “cidade turística” é aquela que possui atrativos (naturais, culturais ou artificiais) capazes de provocar um deslocamento de turistas, com recursos de hospedagens, serviços de alimentação e infraestrutura viária, dentre outras coisas, que possam ter a capacidade de receber essa demanda gerada pelos atrativos, de forma ordenada. Em suma, ser uma cidade turística requer estrutura, planejamento e cuidado com a população visitante e principalmente, com a comunidade local.

Ter “potencial turístico” significa que a localidade possui algum atrativo ou curiosidade que pode ter a capacidade de gerar um fluxo turístico para o local, mas que ainda não o faz de forma sistemática; ou porque a cidade não tem estrutura de hospitalidade para receber o turista (o que é mais comum) ou porque a divulgação não anda sendo feita da melhor maneira possível.

Então, não é porque temos um par de cachoeiras, um engenho abandonado ou uma praia com águas cristalinas que seremos, necessariamente, uma cidade turística. Tudo vai depender do planejamento e da gestão desses atrativos e da criação ou incentivo para geração de uma oferta adequada de hospedagem, de alimentação, estradas e demais equipamentos de suporte à demanda turística.

Ter potencialidade turística é maravilhoso, porém, sem planejamento e sem uma gestão adequada, o turismo pode, de fato, acabar com o turismo. Ou seja, o fluxo de visitantes sem controle, sem ações de sustentabilidade ou sem gerar recursos suficientes na localidade, pode acabar por comprometer o próprio potencial turístico do local. Situação, que infelizmente, já vimos acontecer diversas vezes, em cidades que tinham tudo para serem grandes destinos turísticos.

Então, aquelas cidades que estão vendo nessa retomada da atividade turística a possibilidade de gerar receita com seus potenciais atrativos turísticos tenham cuidado! Estudem os atrativos, os fluxos que eles podem gerar, o perfil do público que irá visitá-los. Tudo isso para que seja possível criar uma infraestrutura adequada para receber os visitantes, para acolher da melhor maneira possível, sem que a localidade fique mal falada pelos que forem visitá-la e muito menos, sem que essa visitação traga consequências negativas para a população local.

Ter atrativo e não ter, minimamente, uma infraestrutura hoteleira, por exemplo, é gerar uma demanda de excursionistas, ou seja, aquelas pessoas que vão, visitam e não pernoitam no local e assim, não geram receita suficiente para ser reinvestida na atividade turística.

Não tem condições de aumentar ou criar uma rede hoteleira agora? Que tal aquela parceria com o município vizinho que tem aquele hotel/pousada bacana? Assim, os dois podem sair ganhando e o visitante sairá satisfeito, pois sua expectativa de conhecer o atrativo foi atendida e ele ainda desfrutou de equipamentos adequados para recebê-lo.

E aí? Vamos fazer um turismo mais planejado? Solução tem, só basta querer planejar!

JS Viagens & Turismo

Quem é Marília Paes: Mestre em Geografia Urbana (UFPE), Especialista em Planejamento e Gestão do Turismo (UPE/FCAP), Bacharel emTurismo (UFPE).  Turismóloga (UFPE), mestre (UFPE) e doutoranda (UFRN) em Turismo, idealizadora da Qualiconsulte onde atua como consultora de hospitalidade e qualidade em serviços.