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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Cultura

A força da mulher sertaneja além das fronteiras

No Dia Internacional da Mulher celebrado, hoje, 8 de Março, o Jornal do Sertão homenageia todas as conterrâneas, por meio de histórias como a da advogada Ivy Alves, de Petrolina, da maestria em poesia de Cida Pedrosa, de Bodocó, vencedora do prêmio Jabuti em 2020 e da diversidade artística da poetisa Mariana Telles, de São José do Egito 

Postado em 08/03/2021 07:00

Imagem Pixabay @

Quem conhece a advogada Ivy Alves, formada pela Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape), com atuação  pioneira no ramo do direito médico à saúde no Vale do São Francisco, não imagina quanta superação e aprendizado ela traz consigo.

Para conseguir concluir o curso de Direito, Ivy teve que driblar a falta de recursos financeiros para sobreviver, levar a sua filha para as aulas, pois não tinha com quem deixá-la, e ainda travava uma batalha judicial contra o seu ex-companheiro, ao lado de quem viveu um relacionamento abusivo ao longo de sete anos, segundo relatou ao Jornal do Sertão.

Após superar, comemora a recente aprovação da filha, hoje com 18 anos, no curso de Direito da Facape. A história de Ivy é retratada no livro Mulheres de Sucesso, publicado pela editora Mazalti.

 O sentimento diante da conquista

“O meu sentimento ao concluir o curso foi de superação. Sei o esforço que esta conquista me custou. Estava diante da realização de um sonho. Quando iniciei o curso de Direito eu havia acabado de sair desse relacionamento abusivo. E a grande lição de vida que esta experiência me deixou foi de que é possível se libertar da violência, buscando os meios legais adequados e com muito esforço,” resume a advogada especializada em Direito Médico da Saúde.

Ivy Alves, advogada especializada em Direito Médico à Saúde, com atuação no Vale do São Francisco – Foto: Acervo Pessoal

Ivy atua no âmbito privado e normalmente lida com pacientes com doenças graves, que necessitam da garantia de serviços por parte do Estado. Pelo País, a advogada trabalha, por meio de atendimentos online, em parceria com outros advogados em causas oriundas de outros estados brasileiros.

 A voz de uma poeta de Bodocó que ganhou o mundo

 O Sertão é pura poesia. Inclusive, é na região, onde está localizada a capital da Poesia de Pernambuco: São José do Egito. Mas vamos inverter o caminho, e de Petrolina, a gente faz uma parada em Bodocó, onde ano passado, um grande fato cultural ocorreu.

A força da poesia de Cida Pedrosa que se expressou da forma mais intensa na obra Solo para Vialejo projetou a cidade de Bodocó para o Brasil e o mundo no fim de 2020. Ela ganhou o prêmio Jabuti, o principal prêmio de literatura do Brasil, na categoria livro do ano, apresentando uma história que reúne música, poesia e um grito poético que “tem urgência em ser ouvido”.

Cida Pedrosa, poeta, advogada, e vereadora de Recife, natural de Bodocó, no Sertão do Araripe – Foto: (Acervo Pessoal)

Segundo Cida Pedrosa, uma das mensagens deste grito é de que “eu sou indivisível, eu funciono inteira, não existe eu e o Sertão. Eu sou o Sertão!”. A poesia foi apenas um dos desafios vencidos por Cida. Hoje, ela exerce o mandato de vereadora pela cidade do Recife, capital de Pernambuco, em Casa Legislativa formada por 32 homens e apenas 7 mulheres. Ainda jovem, aos 14 anos,  veio morar na cidade para fazer a  Graduação em Direito. Com a autoridade de uma legítima sertaneja, ingressou nos recitais e rodas de poesia da capital, mesmo sabendo que os homens dominavam o espaço, subiam nos bancos das praças primeiro.

 Mariana Telles imprime rosto, voz e versos à poesia de São José do Egito A poetisa Mariana Teles nasceu com um privilégio e ao mesmo tempo com uma tamanha missão. Filha do Patrono do Repente e da Cantoria de Viola em Pernambuco, Valdir Teles, a jovem conhece a arte da poesia do cordel e do repente desde o berço, por outro lado, carrega o ofício de manter o legado de peso deste paraibano, adotado por São José do Egito ainda jovem.

À direita, o Patrono do Repente e da Cantoria de Viola de Pernambuco, Valdir Teles, à esquerda, a filha e poeta Mariana Teles, que mantém vivo o legado do pai- Foto:(Reprodução Blog Nill Júnior)

Destemida e forjada em uma escola de respeito, Mariana vem honrando o sobrenome Teles, enaltecendo a cultura sertaneja. “Meus versos reúnem costumes de um povo… que nasceu na sombra de um Sertão valente”. Que fala das histórias de antigamente, nas rimas de um poeta novo… quem ouve uma vez, quer ouvir de novo … o verso é do mundo, do céu e do ar…tem marcas visíveis de improvisar…”

JS Cultura 

 

 

Jornalista Adriana Amâmcio

Editora Luciana Leão