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Pernambuco, 01 de maio de 2026

Agronegócios

O maxixe no Agronegócio de Pernambuco por Geraldo Eugênio

Desculpem ser permissivo com a geografia de Pernambuco, mas para mim, o Sertão começa em Gravatá. A partir da subida da Serra das Russas, a paisagem que se vê é constituída de bromélias, agaves e cactos, plantas típicas de Custódia ou Ouricuri. Logo, informo aos leitores que o nosso Sertão não é o sertão das estatísticas. Esse o JS levando as autoridades sertanejas além das fronteiras.

Postado em 11/03/2021 12:00

Colunista

Geraldo Eugênio Eng. Agrônomo e pesquisador do IPA Foto: Divulgação.

O maxixe e a cozinha regional

Nem sempre lembrado como um legume, verdura ou condimento de maior importância. À exceção de quem conhece o que é maxixada, uma das iguarias dos estados da região Nordeste, ou para quem está acostumado a consumi-lo no feijão, quase sempre acompanhado de seu companheiro quiabo. Esta planta da família da abóbora do pepino e do melão tem excelentes recomendações nutricionais pelos nutrientes que carrega. De origem africana, adaptou-se facilmente à culinário regional.

E onde se planta?

O maxixe tem em Pernambuco um dos principais mercados produtores e em Tacaimbó, 170 quilômetros de Recife seu principal centro de produção. Cultiva-se durante o inverno, sob condição de chuvas, ou nos verões, quando se usa irrigação a partir de águas de açudes e riachos da região. Ocupa centenas de famílias, tornando-se o símbolo deste município. Normalmente cultivado por mini e pequenos produtores, mas representando fonte de renda e emprego para milhares de pessoas.

Seu mercado em busca de espaços ainda mais nobres

A produção de Tacaimbó abastece quase todo o estado de Pernambuco, parte de Alagoas e da Paraíba e, nos últimos meses, tem sido comercializado para Manaus, no estado do Amazonas. Alguém pode dizer que se trata de uma cultura menor ou fortemente concentrada em uma pequena área. Vale chamar a atenção para o fato de que o agronegócio municipal ou regional do semiárido é constituído, quase sempre, da soma de segmentos menores, especializados em poucas opções de cultivo.

E Tacaimbó é Sertão?

Desculpem ser permissivo com a geografia de Pernambuco, mas para mim, o Sertão começa em Gravatá. A partir da subida da Serra das Russas, a paisagem que se vê é constituída de bromélias, agaves e cactos, plantas típicas de Custódia ou Ouricuri. Logo, informo aos leitores que o nosso Sertão não é o sertão das estatísticas e relatórios, mas um local em que as chuvas são frequentes, a chuva é escassa, as nem sempre bem utilizada, mas com potenciais e riquezas que causa inveja. Conversa à parte, vamos retornar ao nosso anfitrião e em qualquer parada quando indo para o Oeste, de Gravatá á Petrolina, peçamos uma boa maxixada.

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.