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Pernambuco, 01 de maio de 2026

Agronegócios

Avicultura de Pernambuco: uma verdadeira fábrica de frangos e ovos por Geraldo Eugênio

Sozinha a avicultura é o maior consumidor de milho e soja, um dos segmentos mais importantes do agronegócio estadual e um arranjo produtivo que abriga centenas de empresas e propriedades de todos os portes. A contradição é que os empresários pernambucanos conseguem esta façanha em um estado cuja produção de grãos é ínfima. Na realidade o milho que se produz em Pernambuco mal atende à pamonha e quanto à soja esta é praticamente  em ausente no estado.

Postado em 18/03/2021 11:49

Colunista

Geraldo Eugênio Eng. Agrônomo e pesquisador do IPA Foto: Divulgação.

Pernambuco é o maior

A incrível história da avicultura em Pernambuco merece o reconhecimento de todos. Não é a toda que o estado se encaixa entre os cinco principais produtores nacionais de frango e ovos e o mais importante da região Nordeste. Sozinha a avicultura é o maior consumidor de milho e soja, um dos segmentos mais importantes do agronegócio estadual e um arranjo produtivo que abriga centenas de empresas e propriedades de todos os portes. A contradição é que os empresários pernambucanos conseguem esta façanha em um estado cuja produção de grãos é ínfima. Na realidade o milho que se produz em Pernambuco mal atende à pamonha e quanto à soja esta é praticamente  em ausente no estado.

A importância dos alimentos e rações

Na produção de proteína de origem animal, seja no caso do frango ou do ovo, o alimento é um dos fatores críticos do sistema. Um segundo é a logística, assunto a ser discutido proximamente. Considerando que setenta por cento do custo de produção é dirigido à aquisição de alimentos, os criadores e processadores têm a noção clara da importância de se contar com milho e soja produzidos mais próximos de suas operações e abatedouros. Não somente isto, mas que este fator é crítico e comprometedor  à expansão da avicultura estadual.

De onde vem o grão de milho e soja

Comumente, os grãos de milho e soja utilizados na fabricação de rações avícolas vêm do Cerrado. Seja do oeste da Bahia ou do sul dos estados do Maranhão e Piauí. A logística sempre foi um limitante. Com a alta incontrolável do custo do combustível e do frete, torna-se uma ameaça permanente ao setor.

A aposta

Os empresários, basicamente aqueles associados ou próximos à Avipe, em colaboração com instituições do governo estadual, a exemplo da AD Diper e do IPA construíram um programa intitulado Grãos Pernambuco com o principal objetivo de atender parte da demanda de 900 mil toneladas de milho adquiridas anualmente. Há quem questione o fato de Pernambuco não ser um ambiente favorável ao cultivo de grãos, com suas razões. Entretanto há de se considerar que os avanços tecnológicos havidos com o cultivo do milho nos últimos vinte anos foram extraordinários. Não precisamos ir longe, basta nos deslocarmos um pouco ao sul e avaliarmos o que tem ocorrido em Alagoas e, particularmente, em Sergipe. Além do mais conta-se com resultados surpreendentes em um projeto liderado por uma empresa internacional de insumos agrícolas, em Pernambuco, nos últimos cinco anos e há, de modo claro, o comprometimento do setor em tornar realidade a produção de milho no estado. As regiões do Araripe, Sertão Central e Sertão do Moxotó situam-se no programa. Louve-se a iniciativa e que se demonstre que os avanços tecnológicos serão compartilhados pelos agricultores pernambucanos. Assim, ganha-se o agricultor, o cooperado, a empresa e o estado.

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.