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Pernambuco, 04 de agosto de 2021

Agronegócios

Goiaba, a safira do Sertão também em Mirandiba Por Geraldo Eugenio

A goiaba sempre esteve entre uma das principais opções de cultivo no Vale do São Francisco, região que tem a manga e a uva de mesa como carros chefes nos perímetros públicos e áreas privada de irrigação. 

Postado em 08/07/2021 2021 18:36 , Agronegócios. Atualizado em 08/07/2021 18:49

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Saiu do Vale e foi para o Pajeu

Apesar de ser uma fruteira completamente adaptada, o ambiente também é propício a um de seus principais inimigos, os nematoídes. Pequenos vermes que infestam as raízes das plantas, sugando a seiva e comprometendo seu desenvolvimento. Isto tem feito com que a longevidade dos pomares seja reduzida, encarecendo o manejo e inviabilizando a expansão da área sob cultivo. Como a demanda por esta fruta é forte, uma das alternativas foi a procura de outras áreas ainda não comprometidas com a presença dessa praga. Foi aí que a goiabeira foi parar em Mirandiba, no Sertão do Pajeú.

 

Pequenos e micro perímetros, uma aposta a ser feita

No município de Mirandiba, através dos empresários que se aventuraram no cultivo da goiabeira foi adotado um princípio claro, mas nem sempre observado. Não se necessita de grandes quantidades de água ou de rios caudalosos para se contar com áreas irrigadas de exploração econômica. É aí que a exploração das águas do lençol freático, com poços variando entre 50 e 150 metros de profundidade resultou no estabelecimento de um ´mini perímetro irrigado`, da ordem de 300 hectares, predominantemente com a goiabeira neste primeiro momento. Uma área adicional de 40 hectares encontra-se instalada no município vizinho de Carnaubeira da Penha, conforme dados recentes passados pelo colega José Nunes Filho. 

Divulgação

Mercado, não falta, por incrível que pareça

Pernambuco é o principal estado produtor do Nordeste e há quem denomine a goiaba como ouro rosa. Prefiro a Safira do Sertão, pela cor rosa-avermelhada da polpa da variedade Paluma, a mais adotada na região.

O fato é que há uma demanda muito forte pela goiaba, quer como fruta fresca, ou de mesa, ou para processamento devido ao sabor, o aspecto seu alto teor de vitamina C. Há pouco o Jornal do Sertão fez uma extensa reportagem sobre a fábrica Tambaú, de Custódia, que sempre teve entre seus principais produtos os doces de goiaba, corte e calda. Sendo o doce cascão uma iguaria que obrigava os viajantes a darem uma parada na loja e pousada, do grupo. 

Ao longo do tempo a produção ao redor de Custódia foi decrescendo e a empresa teve que deslocar sua área de produção para o Vale do São Francisco. Agora, com a retomada do cultivo em Mirandiba, o produto está bem mais próximo e a Tambaú volta a contar com fornecedores regionais. Além desta empresa,  não são poucas as pequenas fábricas de doces e biscoitos no Sertão, que têm na goiaba um dos principais atrativos. Some-se a isto um mercado ainda mais nobre em se tratando de valor agregado que é o de frutas frescas, sendo a produção de Mirandiba e Carnaubeira da Penha comercializada de modo especial nas centrais de abastecimento de Recife e Natal.