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Pernambuco, 24 de novembro de 2021

Cultura

A lenda da mãe D’água Por Bruno Alexandre

O rio São Francisco, ou Velho Chico para os íntimos, além de ser um dos maiores rios do Brasil, também é um dos que mais esconde mistérios e segredos sobre as suas águas.

Postado em 09/07/2021 2021 16:42 , Cultura. Atualizado em 09/07/2021 16:57

Jornalista ,

Bruno Alexandre
Professor e Escritor
Colunista do Jornal do Sertão

 

Os mistérios do velho Chico

Nascendo em Minas Gerais e desaguando na divisa entre Alagoas e Sergipe, o São Francisco é o lar de muitas criaturas místicas, e até mesmo assombradas, em toda a sua extensão. Durante o seu percurso, o rio também banha o sertão nordestino, e é na divisa da Bahia e Pernambuco, entre Juazeiro e Petrolina, que muitas lendas são cultuadas pela população.

Imagem Divulgação

 

A mãe D’água

Reza a lenda que as águas do São Francisco são protegidas por uma sereia de água doce e longos cabelos ondulados, uma misteriosa criatura bela e encantadora.

Ai de quem se atreva a mexer com rio, pode acabar pagando com sua própria vida. Segundo os pescadores, assim como todo mundo, o rio também tem o seu momento de descanso, que ocorre próximo à meia-noite. Durante alguns minutos, as águas do velho Chico descansam e o silêncio e a calmaria tomam conta do lugar. É nesse momento que a mãe D’água surge na superfície para contemplar o seu reinado enquanto penteia os seus longos cabelos sobre alguma pedra. 

 

Os encantos da sereia

Coitado de quem resolva interromper o descanso das águas e a contemplação da sua protetora. Se algum pescador se meter a besta de navegar por ali naquele momento, pode acabar caindo nas garras dos seus encantos e ser arrastado para o fundo do rio. Isso acontece porque a sereia pode lançar o seu feitiço sobre o homem, que encantado  pela criatura acaba indo parar nas profundezas do rio. Porém, há uma maneira de evitar tal tragédia, basta o pescador jogar sobre as águas um pedaço de graveto, se o graveto não se mexer, é melhor esperar mais um pouco para se banhar no rio.

 

A imagem que guarda o rio

Se por um lado a mãe D’água talvez não passe de uma lenda, por outro, a figura de sua imagem nas margens do velho Chico faz com que permaneça acessa no imaginário sertanejo a proteção da sereia sobre as águas do rio. Do lado Pernambuco das águas, na cidade de Petrolina, uma escultura da mãe D’água, deitada sobre pedras e admirando o céu, divide opiniões. Para uns, a imagem não passa de crendice popular, para outros é penas manifestação artísticas e já teve até quem achasse que a escultura amaldiçoasse o rio e o período de chuvas na cidade. Porém, a mãe D’água não é a única figura aquática que mexe com o imaginário do ribeirinho, logo ali, do lado baiano do rio, outra imagem também guarda bastante segredos, mas isso é história para semana que vem.