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Pernambuco, 08 de dezembro de 2021

Educação

Educação e Tecnologia: Um Novo Olhar Para Uma Nova Realidade Por Diedson Alves

Passamos a viver um momento de crise e num contexto de crise a filosofia se estabelece, ficamos mais sensíveis, nos interrogamos mais e buscamos respostas até então passadas despercebidas.

Postado em 13/07/2021 2021 12:40 , Educação. Atualizado em 19/07/2021 17:53

Colunista

Prof. Diedson Alves Mestre em Ciência da Educação Colunista do Jornal do Sertão

Jamais imaginei passar por uma crise pandêmica como a atual, mesmo sendo professor de história e ter analisado infinitos momentos parecidos, foi uma verdade bomba especificamente na sala de aula.

Segundo Leandro Karnal – “Três fatores aceleram a história: guerra, revolução e epidemia. O primeiro fator de uma epidemia, guerra ou revolução é acelerar processos que já estavam em curso. Essa é uma mudança irreversível”. 

Isso é facilmente comprovado quando refletimos sobre recortes históricos como graves, as desidratações econômicas e sociais nos séculos XIII e XIV na Europa Ocidental resultante decadência econômica devido a queda de produtividade, escassez de alimentos, morte de milhares de pessoas, enquanto outras sobreviveram em grave estado de subnutrição.

Diante de um momento de tamanha convulsão, com uma sociedade fragilizada, vulnerável, uma enorme parcela desta população acometeu-se da, popularmente conhecida como peste negra, que acelerou o enfraquecimento do sistema feudal, no que tange o aspecto econômico, politico, social e religioso. E trouxe à tona o renascimento, que tem como esteio um modelo de homem, humanista, racionalista, individualista, competitivo e que busca na ciência reduzir as incertezas e ampliar as certezas. Acelera-se a crença no progresso humano, projeta-se um ser mais confiante em suas forças e possibilidades.

Revolução Francesa

Foi assim na Revolução Francesa, marco histórico do mundo contemporâneo. As mudanças propostas pela Revolução Francesa já vinham sendo trabalhadas na Europa, no entanto, a sua culminância potencializou, ecoou para o mundo  como forma de organização da sociedade, a universalização do poder, a criação de instituições, que garantissem o exercício da pluralidade, a universalização de princípios fundamentais.

E mais recente, no século XX, dois grandes conflitos mundiais prolongados com a Guerra Fria  contribuíram velozmente para o egresso da mulher no mercado de trabalho e o fortalecimento científico e tecnológico: o avanço da medicina, desenvolvimento de antibióticos, aperfeiçoamento da comunicação, do transporte, ou seja, mudanças drásticas que impactaram no cotidiano civil.

Nesse momento, você leitor faz a seguinte pergunta: E os impactos provocados pela COVID 19? O que mudou? Como será o mundo pós-pandemia? Vou me atentar ao ambiente educacional usando como bússola o passado histórico como bem disse, E.Galeano:  “A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será”.

Ficou evidente o impacto social provocado pela pandemia

Fomos colocados em um “laboratório” e testados, de forma individual e incessante, ficando expostas nossas fragilidades e fortalezas. 

Problemas sociais como desigualdade, baixo investimento tecnológico, de infraestrutura, escassez de políticas públicas mais consistentes de acesso ao conhecimento, enfim, como um fio que não aguenta a potência de energia derrete sua capa ficando exposta e a mercê de um curto circuito.

Divulgação

Os mecanismos tecnológicos invadiram a esfera educacional, reflexo em toda a sociedade, uma vez que a escola é um recorte do contexto em que vivemos. Fomos de forma geral pegos de surpresa, não imaginávamos tão cedo ter que dar aula sem o espaço físico, usar o aparelho celular para fins didáticos pedagógicos, monitorar tudo da própria casa. Postando vídeos, salvando links, deixando claro, de forma geral, nossas deficiências tecnológicas.

Aqueles planejamentos prontos, o físico livro didático, o quadro, o pincel, o olhar no olho, o deslocamento até a escola tudo isso passou por um processo de atualização, um download da própria história do docente. Vejo no olhar e nos depoimentos  de muitos profissionais, sobretudo da educação, um saudosismo das aulas presenciais tradicionais, a vontade de que tudo isso passe para voltar a ser como era antes. 

Isso me faz lembrar um movimento no século XIX chamado luddismo, onde trabalhadores ingleses com o surgimento das máquinas (Revolução Industrial) alterou todo o contexto laboral, levando os operários à quebra de máquinas, como forma de protesto. Tendo como exigência, algo impossível, o retorno às antigas rotinas de trabalho.

Ao mesmo tempo com o protagonismo das máquinas passou-se a trabalhar mais, a dedicar-se mais tempo direto e indiretamente ao trabalho. Ouço constantes comentários em relação ao home office – onde não existe mais um tempo específico, uma jornada de trabalho específica. Não se leva trabalho para casa, o trabalho está em casa.

As pessoas mostram-se mais cansadas, mais estressadas com menos paciência e visivelmente todos os momentos do tempo acompanhados de um celular resolvendo questões relacionadas principalmente ao ambiente de trabalho.

A isso cabe uma reflexão a partir da obra sociedade do cansaço de Byung-Chul Han, em que o filósofo aborda um cenário tenebroso da valorização de indivíduos cada vez mais inquietos e hiperativos que se arrastam no cotidiano produtivo realizando múltiplas tarefas. 

A humanidade, até então, não se redimiu de crises, pandemias, revoluções, guerras. Continuamos a repetir os mesmos equívocos. 

O mundo tem a oportunidade de escrever uma nova história, dar uma guinada, um outro sentido a sua real existência. 

Fazer desse apogeu tecnológico nosso grande e fiel aliado, como aperfeiçoamento de práticas pedagógicas em busca de uma aprendizagem mais significativa. Continuar estreitando espaços físicos, ter acesso às infinitas obras e olhares sem sair de casa, aproximar as gerações numa troca de experiência e novas ferramentas.

Ademais, fazer ecoar a ética, a tolerância além dos muros, otimizar tempo e sobretudo buscar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal a ponto de não perder o olhar contemplativo de coisas simples, mas que a pandemia nos mostrou essências, que estão bem próximas, na nossa casa e tinha passado despercebido, pois se chegamos até aqui é porque pudemos contar com aquilo que é caseiro, singelo, gratuito e essencial para nossa vivência.

 

Quem é  Diedson Alves: Mestre em Ciência da Educação pela UDE – Universidade de La Empresa em
Montevideu URU (2012), convalidado pela UTP – Universidade de Tuiuti do
Paraná; Graduado em Licenciatura Plena em História pela UPE – Universidade
de Pernambuco (2001) – Especialista em Psicopedagogia pela FACINTER –
Faculdade Internacional de Curitiba (2002) e Ensino de Sociologia pela UCAM –
Universidade Cândido Mendes- RJ (2019). Docente em História pelo IF-Sertão
Pernambucano (Campus Petrolina) e da Rede Particular de Ensino da Região do
Vale do São Francisco. Palestrante por meio do projeto DIÁRIO DE UM
PROFESSOR – UM ESTALO DE RAZÃO .
e-mail: diedsonalves@yahoo.com.br
Instagram: @diedsonalves
Instagram: @serendstudios