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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Agronegócios

Cadernos do Semiárido: Riquezas e Oportunidades

Conhecimento é negócio, é lucro, é prosperidade.

Postado em 09/09/2021 2021 14:07 , Agronegócios. Atualizado em 09/09/2021 14:15

Colunista

 

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

A cada dia fica mais claro que quem melhor utilizar o conhecimento e transformá-lo em tecnologia e inovação sai à frente e aumenta substancialmente as chances de sucesso. Também é sabido de nós que durante muito tempo o semiárido, além de ser conhecido pelas secas, pela pobreza, pelo coronelismo e pela distância, era uma região problemática que se configurava como um dreno de recursos para a nação. Era a cesta básica, as secas, o perdão das dívidas, as emergências e, antes dos programas sociais que já duram vinte anos, os saques às feiras e mercados por multidões de maltrapilhos e famintos. Em outras palavras o semiárido era uma escultura do nosso magistral Abelardo da Hora. Ponto final.

A luta de um homem obstinado

 

Lembro como hoje, de um encontro que tive há cerca de cinco anos com um homem obstinado pela região, o Dr. Mário de Oliveira Antonino, um Engenheiro Civil, professor aposentado de cálculo da escola de engenharia da UFPE, paraibano de Serra Branca. Dr. Mário quando de sua vida como professor teve a honra de ensinar os melhores quadros da engenharia pernambucana e nordestina e por suas salas de aula haverem passado cinco reitores, quatro da UFPE e um da UNB. Em sua vida como engenheiro, destacou-se como um dos melhores técnicos do Brasil em estruturas pré-moldadas passando por seu controle e acompanhamento a construção dos terminais açucareiros de Recife e Maceió, além de haver servido ao governo de Pernambuco, em duas gestões como o principal gestor em obras hídricas no interior suscetível a secas. Não é necessário ser um especialista em engenharia para ver que os vãos daqueles armazéns açucareiros, com uma viga única não é coisa para amador. Dois outros assuntos fazem seus olhos brilharem de alegria: seu Rotary, a quem se dedica com esmero, sendo um dos mais respeitados membros deste clube de serviço, e o Semiárido. Seu ambiente de recordações da infância, sua distração como produtor e a região que simboliza seus sonhos. Dr. Mário queria falar dos Cadernos do Semiárido, sobre o que já tinha feito e se poderia contar com uma simples ajuda na identificação de temas, colaboradores e patrocinadores para aquele esforço quase que quixotesco. Este encontro me marcou profundamente, afinal, foi a obra que ele havia escolhido para a comemoração do quinquagésimo aniversário do Rotary Recife. Sua relação com a caatinga, sua vontade de servir, seus propósitos são de tal magnitude que costumo dizer não há quem, de boa vontade, negue auxiliá-lo nesta caminhada. Tornei-me seu admirador e auxiliar, mais um entre tantos sanchos-panças. Com orgulho.

 

Uma grande rede de colaboradores

Até o presente são dezoito números publicados, em temas que cobrem desde a caprino-ovinocultura, o feijão caupi ou de corda, a palma forrageira, a aquicultura, as obras hídricas, a educação e tanta coisa mais. Dezoito documentos em formato de revista ampliada com aproximadamente setenta páginas, tratando deste conjunto de temas a partir de uma ótica nem sempre vista, chamando a atenção para as riquezas e oportunidades da região. Esta é a diferença, uma visão de um cidadão que poderia estar curtindo sua aposentadoria junto aos filhos e netos e envolvido diariamente com três instituições: os Cadernos do semiárido, o Rotary Club Largo da Paz e a Academia Pernambucana de Engenharias, na qual é seu Presidente.

 

Usem os cadernos. Vale a pena.

Esta biblioteca maravilhosa, além de impressa, tem todos os exemplares, em PDF, à disposição na página do IPA, no link: http://www.ipa.br/novo/cadernos-do-semiarido. Quatro novos números estão prestes a serem publicados e outros tantos dentro de seu planejamento de curto e médio prazos. Dr. Mário conseguiu uma façanha, congregar mais de 230 profissionais, diga-se os mais renomados e conhecedores, de cada área, na confecção desta obra. Um conjunto de documentos atuais que podem ser utilizados na escola superior, média, nos ambientes de discussão, entre os extensionistas, produtores, líderes rurais, políticos e a quem interessar pelo Semiárido nordestino.

Convido a todos a conhecerem este esforço e apoiarem a dedicação de seu mentor, Dr. Mário Antonino, daqueles que têm apoiado na organização, formatação e editoração dos documentos, dos patrocinadores e, em especial, doa autores. Não se encontra com facilidade tanto conhecimento traduzido na linguagem do homem comum, tratando de temas que podem ser aplicados em todos os nove estados que contam com regiões semiáridas, desde o estado do Piauí ao Espírito Santo, disponível de forma livre. 

Caros mestres, usem em suas aulas, em suas atividades, compartilhem e discutam com seus alunos e torne os Cadernos do Semiárido uma fonte de consulta e referência Dirigentes de instituições de ensino, pesquisa, extensão, assistência técnica, crédito rural, bibliotecárias, disponha da coleção em seus sites e páginas eletrônicas e assim vocês contribuirão para o sucesso do ensino e do empreendedorismo. 

Conhecimento é cultura, é inovação, é riqueza. Vamos aproveitar a dedicação deste visionário que como octogenário mantém a fé e a energia de um jovem. Obrigado, Dr. Mário

 

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agrônomo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é ex-pesquisador do IPA e Professor Titular em Agricultura e Biodiversidade na UFRPE – UAST, Serra Talhada, PE. Foi Secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Nos últimos anos tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas inovadoras aplicadas à gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.