Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 24 de outubro de 2021

Agronegócios

Voltando ao empreendedorismo no Agro do semiárido em tempos de pandemia

Na maioria das cidades de médio porte do Agreste e Sertão de Pernambuco há escolas bem estruturadas em humanas, profissões da saúde, ciências agrárias, engenharias, computação e tecnologia de modo geral.

Postado em 23/09/2021 2021 17:47 , Agronegócios. Atualizado em 23/09/2021 18:29

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

As escolas chegaram

É de impressionar o aumento expressivo do número de escolas de nível superior em todo o Sertão. Foram dezenas de instituições públicas e privadas que surgiram nos últimos vinte anos, mudando irremediavelmente a face da educação em locais nos quais, normalmente, sua juventude teria que se deslocar à capital ou grandes centros para concluir um curso superior.

Na maioria das cidades de médio porte do Agreste e Sertão de Pernambuco há escolas bem estruturadas em humanas, profissões da saúde, ciências agrárias, engenharias, computação e tecnologia de modo geral. O ganho foi expressivo e a presença de milhares de jovens professores, técnicos e alunos mudaram radicalmente o dia a dia de alguns municípios.



As aspirações  tornaram outras e mesmo com um movimento iniciado há cerca de duas décadas se encontra egressos dessas escolas como em várias instituições do Brasil ou do exterior, como pós-graduandos, professores, analistas ou associados às empresas privadas.

Os alunos também

Este povoamento de instituições de ensino contou com a atração para milhares de jovens do município onde a escola é sediada, os municípios vizinhos e até de estados distantes. Dentre as vantagens do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, uma dessas é provocar esta mobilidade e, em Serra Talhada, por exemplo, podemos contar com estudantes do Pará ou do Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo podemos ter jovens de Salgueiro ou Araripina no Espírito Santo ou no Acre. Esta permuta é salutar e faz com que todos ganhem e melhor conheçam o Brasil.

Atualmente ao se considerar o Agreste e Sertão todos os anos temos dezenas de milhares de jovens ingressando e uma quantidade significativa saindo das nossas faculdades, institutos de educação, escolas e universidades. E é visando esta juventude e seu futuro que o aparato de ensino e a sociedade em geral deve estar atenta. Costumo dizer que conseguimos atrair os melhores e mais qualificados. Professores e alunos, agora resta saber o que ser feito com este patrimônio intelectual, esta inteligência e suas aspirações.

O que tem a ser oferecido aos jovens

Um país, região ou a sociedade como um todo não podem ficar de mãos atadas vendo que seus filhos estão, depois de um esforço imensurável, de sacrifícios dignos de reconhecimento, de expectativas criadas para suas famílias e para eles próprios, concluindo cursos competitivos e de qualidade e entrando no deserto do desemprego ou do retorno ao lar sem ter como explicar aos pais que apesar de tudo ainda não conseguiram se encaixar em uma posição ou emprego que lhes dê a capacidade de manter-se e retribuir à sociedade com aquilo que foram capazes de aprender.

Esta situação se constitui em um momento de tristeza e sem dúvida alguma tende a causar desconfortos em muitos. Esses jovens sentem-se órfãos. Seus pais exauridos não têm muito a oferecer, já não são estudantes e não fazem parte da comunidade universitária e ao mesmo tempo não podem dizer onde estão ou o que farão.

As escolas consideram que cumpriram com sua missão e nem sempre têm uma atitude acolhedora ou proativa para situações dessa natureza. Eis a questão.

Em busca de oportunidades

A pandemia Covid 19, costumo falar, somente trouxe tristeza, lamentações e sacrifícios, por outro lado acelerou o uso de tecnologias de informação e conectividade que em um momento normal seriam adotadas em um período muito mais longo. Neste sentido há de se convir que apostar no empreendedorismo, em um mundo com escassos empregos e quase sem concurso, com as instituições públicas sendo acossadas todo o tempo como esbanjadoras e fontes de desperdício, que não são, resta a todos independente do que façam ou pensem se darem as mãos e procurar apoiar este exército de heróis anônimos a se arregimentarem, se encontrarem e serem bem-sucedidos.

Há um exemplo em curso iniciado pela UFRPE e pelo CREA PE que apontam pela otimização da relação entre as diversas áreas do conhecimento, utilizando-se das tecnologias digitais para a qualificação de nossos profissionais e de novas empresas. Acredito que isto dará certo e que teremos a possibilidade de contar com um outro perfil de profissional, de novas empresas e ocupações. O país aguarda uma reação e aproveitamento da melhor forma possível de seus jovens de modo que volte a apresentar um desenvolvimento sustentável e uma atmosfera que faça jus ao seu potencial e expectati

Chegou a hora de se cair na real e, de uma vez por todas, fazer jus ao título do livro do intelectual austríaco, Stefan Zweig, que conosco viveu por longos anos: Brasil, um país do futuro. Assim, encontraremos o espaço necessário e merecido por nossos jovens.

 


Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agrônomo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é ex-pesquisador do IPA e Professor Titular em Agricultura e Biodiversidade na UFRPE – UAST, Serra Talhada, PE. Foi Secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Nos últimos anos tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas inovadoras aplicadas à gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.