Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 21 de outubro de 2021

Educação

Alegoria Platônica: Não se empreende dentro da caverna . Por Diedson Aves

E diante de uma visão racional, ou seja, fora da caverna, o jovem empreendedor abre seus olhares, amplia seus horizontes e compreende que empreender consiste em investir em si mesmo, independente de abrir uma empresa

Postado em 28/09/2021 2021 15:31 , Educação. Atualizado em 28/09/2021 21:18

Colunista

Prof. Diedson Alves Mestre em Ciência da Educação

Quando se resolve empreender é necessário ter a coragem, já abordada na filosofia socrática, de superar obstáculos, traumas, conjunturas desfavoráveis, mitos arraigados pela sociedade no qual, muitas vezes, nos impede de seguir adiante como o nosso sonho de investir em um sonho.

E um dos grandes obstáculos a serem superados é o de sair da caverna, é ter a capacidade de enxergar além, é buscar alternativas que aqueles que estão presos ao mundo da aparência não conseguem ter essa percepção diante de tantas e tantas afirmações e conceitos que são pulverizados de forma equivocada.

Podemos citar inúmeras sensações ou impressões que são expressas de quem vive na caverna, pois não possui nenhuma busca metódica, nenhuma sustentação científica. São meras opiniões, achismos, perspectivas superficiais em que se o futuro empreendedor não conseguir ver além da caverna, o mesmo fracassa antes mesmo de iniciar seus investimentos ou começa com visões deturpadas do negócio.

Os principais mitos da caverna, presos à ilusão, a crenças, a sombras e a objetos sensíveis que necessitam ser superados são: só empreende quem abre empresa, quem empreende é quem não conseguiu arrumar emprego, empreender é algo de pessoas que têm muito dinheiro, coisa boa é ser chefe de si mesmo e quem empreende só manda, cria seu próprio tempo de trabalho.


 


Ao sair da caverna deste mundo superficial, sem grande consistência, muito preso a conceitos distorcidos, o jovem empreendedor caminhará para um mundo racional, de sabedoria, rompendo com as aparências e/ou com o mundo ilusório.

E diante de uma visão racional, ou seja, fora da caverna, o jovem empreendedor abre seus olhares, amplia seus horizontes e compreende que empreender consiste em investir em si mesmo, independente de abrir uma empresa. Ao pensar no seu crescimento, ao traçar metas, ao buscar estratégias, ao focar nos seus sonhos, ao se qualificar para um determinado cargo tudo isso é empreender.

Quando se alcança o mundo das ideias,  o empreendedor chega à convicção de que investir em abrir uma empresa não é a única opção, não necessariamente a falta de oportunidade, pois o mesmo poderia buscar uma melhor qualificação e/ou preparar-se para processos seletivos.

O ato de abrir uma empresa sofre influência de questões externas, a exemplo, desemprego estrutural, no entanto, aptidões e desejos de empreender são imunes às conjunturas. Ter um negócio próprio, o sonho de ter sucesso por meio de algo que realize, que satisfaça, que preencha uma lacuna, que traga alegria, enfim, uma realização pessoal.

 

Ao sair do mundo das sombras, percebe que empreender nem sempre exige grandes investimentos financeiros. Existem infinidades de exemplos de pessoas que iniciaram com muito pouco. O maior investimento é tempo, estratégia, planejamento, estudos, aprofundamentos e a convicção de que existem riscos nas mais diversas esferas.

Ultrapassando a caverna, o dono do negócio percebe que ser patrão de si mesmo não é questão de ser bom ou ruim, mas que exige uma enorme maturidade, pois as pressões virão, deverá tomar decisões, nem sempre que lhe agrade. Que cobrar de si mesmo é uma linha tênue, pois exige uma consciência reflexiva, uma cobrança de si mesmo, um assumir riscos, enfim, é aplicar a si mesmo constantemente.

Portanto, inspirado na filosofia platônica, fazendo um trocadilho naquilo que Platão refere-se aos filósofos. Numa perspectiva empreendedora afirmaria que: O verdadeiro empreendedor é aquele que consegue libertar-se da caverna das ilusões e atingir o mundo luminoso da realidade e sabedoria. Salve! Salve! Os empreendedores sertanejos que contribuem significativamente para tornar a nossa região cada vez mais forte.

 

 


Quem é  Diedson Alves: Mestre em Ciência da Educação pela UDE – Universidade de La Empresa em
Montevideu URU (2012), convalidado pela UTP – Universidade de Tuiuti do
Paraná; Graduado em Licenciatura Plena em História pela UPE – Universidade
de Pernambuco (2001) – Especialista em Psicopedagogia pela FACINTER –
Faculdade Internacional de Curitiba (2002) e Ensino de Sociologia pela UCAM –
Universidade Cândido Mendes- RJ (2019). Docente em História pelo IF-Sertão