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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Agronegócios

O retorno à universidade, por Geraldo Eugênio

Que as escolas abram suas portas com altivez, se sentindo honradas por alguém dentre seus pesquisadores e professores haver contribuído em algum segmento do combate intenso e heróico à Covid 19. A UFRPE, por exemplo, congregou uma das equipes mais eficientes no Brasil, de prestígio internacional, na gestão dos dados e da modelagem sobre a enfermidade.

Postado em 17/03/2022 19:26

Colunista

Geraldo Eugênio, Engenheiro Agrônomo

Uma soma de sacrifícios

E no início parecia mais fácil. Os primeiros alertas, em janeiro de 2020, não preocuparam tanto. Era algo do outro lado do mundo, na China e, como tantas outras ameaças dificilmente chegaria a afetar a vida dos habitantes do Brasil. Para o bem ou para o mal, a Ásia iria sofrer e velar seus mortos e o clima tropical seria um escudo.

Não foram poucos os jornais brasileiros que criticavam o governo chinês por haver isolado uma cidade do porte de Wuhan com dez milhões de habitantes. Era um exagero a ser posto em prática em regimes ditatoriais e comunistas.

Entre janeiro e março de 2020, o vírus foi dando voltas e de forma impressionante rápida chegando na maioria dos países. No Brasil, ainda quando a pandemia era uma chacota, chegava um ou outro passageiro de suas férias na Europa contaminado.

Iniciou-se o processo da luta pela vida e de repente se viu que não existiam leitos em nossos hospitais capazes de atender aquele número de paciente. A maioria das pessoas começou a temer pelo futuro. A data mais importante para todos nós foi quando em 16 de março de 2020 as universidades que participam do Consórcio Universitas, resolveram fechar as portas.

A luz vermelha acendeu e as percepções variavam, que aquilo não duraria muito e outros consideravam que era para valer. A partir de agora ou se desenvolveria uma vacina muito eficaz ou a humanidade estaria em risco.

Dando-se a devida importância e descontando-se os exageros, os medrosos prevaleceram. Aqueles que brincavam com o vírus sabotaram a quarentena e a contragosto iriam enfrentar hospitais desprovidos de equipes médicas, conhecimento de causa e  respiradouros.D

Distanciou a todos

A enfermidade roubou dos jovens dois anos de alegria, convivência com os amigos, diálogo com seus professores e melhor aprendizado. Sacrificou anos da vida universitária, atingindo em igual intensidade os professores e servidores da comunidade acadêmica. Obstruiu programas de pesquisa e levou à lona a relação universidade x empresa x sociedade. Assustou quase todos e fraturou as relações sociais, chegando ao ponto de após dois anos de sacrifício e perdas encontrar, mesmo no ambiente acadêmico, quem duvide da eficácia das vacinas ou considere a obrigatoriedade de se vacinar como um atentado às liberdades individuais. Não apenas no Brasil, mas em vários outros países também.

Criaram vírus em laboratório e duvidaram de instituições seculares envolvidas com na produção de vacinas há mais de um século. Fazer o quê? As mutações genéticas  passaram a ser variantes e um novo linguajar biológico foi forjado pela mídia.

Os fantasmas não se foram, mas chegou a hora de encararmos o novo mundo, aquele que deixou como positivo a aceleração das tecnologias digitais e que nos fez menos afoitos. Afinal, dizia minha mãe que ouvi de minha vó: a água só quer os medrosos porque os afoitos já são dela.

Vamos, sem euforia, recuperar os danos

A volta às aulas tem o efeito da primavera. Os sorrisos largos, os abraços, os sonhos, o brilho voltou aos olhos e à face e a esperança à mente.

Tem sido uma grande lição, mas suficiente dura para abrir os olhos da sociedade para um fato: a importância da ciência e a fé no conhecimento. Fiquem certos de que se não houvesse a comunidade científica, pública e privada, se mobilizado para em um pouco de um ano contar com as primeiras vacinas, o mundo teria testemunhado uma quantidade de vítimas extremamente maior do que foi visto, em especial no Brasil, país que teve a ousadia de sabotar os primeiros meses de quarentena e adiar, até quando não foi mais possível a aquisição e distribuição dos imunizantes.

Que as escolas abram suas portas com altivez, se sentindo honradas por alguém dentre seus pesquisadores e professores haver contribuído em algum segmento do combate intenso e heróico à Covid 19. A UFRPE, por exemplo, congregou uma das equipes mais eficientes no Brasil, de prestígio internacional, na gestão dos dados e da modelagem sobre a enfermidade. Professores Aleixo, Jones, Hernande, vocês honraram a casa e, de Parnamirim, no Sertão Central a Recife, fez com que os docentes e alunos se orgulhassem de pertencerem a uma instituição tão séria e comprometida e, além de tudo, com capacidade de resposta quando exposta à pressão.

O último boletim emitido pelo grupo que monitora a pandemia na região Nordeste, publicado há dois dias informa que a situação ainda merece um cuidado especial e permanente. Que não se comemore antecipadamente a vitória. Mantenha-se a defesa alerta. O inimigo é ardiloso e continua à espreita.