


Serviço social e saúde do trabalhador| Por Bárbara Sampaio
O processo saúde-doença é condicionado por diversos determinantes sociais, o que faz desse processo uma expressão da vida social e a saúde como uma das expressões da questão social
Postado em 27/05/2022 11:00
O processo saúde-doença está diretamente atrelado à forma como o ser humano, no decorrer de sua existência, foi se apropriando da natureza para transformá-la, buscando o atendimento às suas necessidades.
A partir disso, tal processo nos mostra que a saúde-doença é condicionada por vários determinantes e variáveis presentes no conjunto das relações sociais, em específico as relações de produção, no atendimento às necessidades físicas, biológicas, dentre outras que permeiam o contexto sócio-histórico, no qual cada indivíduo está inserido.
Nessa direção, Nunes (1985) assinala que é ainda na década de 70 que a saúde como campo de reflexão se abre para as ciências políticas, como também para as ciências sociais, tais como: educação, nutrição, serviço social, sociologia, antropologia.
A autora Nunes (1985) acrescenta que isso se deu por vários fatores, tais como: a degradação das condições de vida da população urbana, a qual passa a levantar e exigir respostas mais amplas que a definição apenas biológica da doença não consegue expressar; e da consciência social de que a saúde está relacionada a diversas esferas da vida em sociedade, dentre elas: a social, econômica, dentre outras.
Desse modo, percebemos que o processo saúde-doença é condicionado por diversos determinantes sociais, o que faz desse processo uma expressão da vida social e a saúde como uma das expressões da questão social.
Nesse caso, os processos saúde/doença não são tratados como categorias a- históricas, mas fundamentado na base material de sua produção e com as características conjunturais das suas manifestações, sejam elas características culturais, biológicas dentre outras.
A partir disso, é notório que a saúde do trabalhador está associada às relações sociais de produção/reprodução e aos diversos determinantes sociais inerentes aos processos de trabalho. Desse modo, a saúde do trabalhador tem como eixo básico o processo de trabalho analisado a partir das unidades de produção, sob ponto de vista histórico e como determinante para o desgaste e até morbidade dos trabalhadores.
Isso nos permite analisar e refletir que, ao tratar do Serviço Social e Saúde do Trabalhador, no processo saúde/doença, faz-se necessário compreender a relação do homem/trabalho, levando em consideração as relações de desigualdade social, de superexploração da força de trabalho em relação às condições gerais da produção capitalista.
Com isso, para o Serviço Social os problemas de saúde dos trabalhadores são vistos e entendidos como intrínsecos às relações capitalistas de produção, as quais se inserem nas relações contraditórias e desiguais entre capital/trabalho e saúde/doença.
Vale ressaltar que, essa relação contraditória e desigual inerente ao processo de trabalho permeia as relações de trabalho e o ambiente em que essas relações se fazem presentes interferindo direta/indiretamente na saúde do trabalhador, o que nos revela o quanto o Serviço Social está interligado com a saúde do trabalhador na luta em favor da qualidade de vida e de trabalho.