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Pernambuco, 29 de abril de 2026

Economia

O que é Síndrome de Burnout? | Por Tikinha Albuquerque

A síndrome, desencadeada pelo estresse crônico no trabalho, se caracteriza pela tensão resultante do excesso de atividade profissional

Postado em 04/07/2022 19:00

Tikinha Albuquerque Master Coach Escreve a Coluna Empreendedorismo para o JS Foto : Arquivo Pessoal

A Síndrome de Burnout associada aos profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, policiais, jornalistas, vem acometendo de maneira assustadora cada vez mais colaboradores, gestores e executivos de alta liderança. É o estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, o que resulta em acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente muito exigentes ou estressantes.

A síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, pela sua gravidade passou a ser considerada doença ocupacional em 1º de janeiro/2022, após a sua inclusão na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), na prática, significa que agora estão previstos os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários assegurados no caso das demais doenças relacionadas ao emprego.

Entenda a doença

A síndrome, desencadeada pelo estresse crônico no trabalho, se caracteriza pela tensão resultante do excesso de atividade profissional e tem algumas características como:

  • Esgotamento físico e mental, a perda de interesse no trabalho;
  • Ansiedade generalizada ou total desânimo;
  • Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho;
  • Redução da eficácia profissional.

De acordo com neurocientistas e psicólogos, a síndrome de burnout é um quadro psicológico associado a uma percepção de exaustão que ocorre de forma prolongada, ou seja, não é uma fadiga pontual, estende-se por um longo período e tem graves consequência na vida do indivíduo a cometido pela síndrome.

O cansaço excessivo é associado a uma forte perda de interesse e engajamento nas atividades profissionais. Além disso, a percepção de esforço fica distorcida, fazendo com que a pessoa entenda que gasta muita energia para atividades que anteriormente fazia de maneira natural, e esse quadro é ainda mais afetado pela soma de sentimentos negativos, como medo, frustação, desânimo, depressão ou a ausência de significado associado ao trabalho. Ou seja, a pessoa entende que se esforça ao máximo, entretanto não consegue mais enxergar o resultado positivo das suas tarefas, e não entende para vai seu esforço e dedicação.

Os principais sintomas

Os sintomas mais comuns são sensação de esgotamento físico e mental, perda de interesse nas atividades de trabalho, sentimentos negativos associados ao ambiente de trabalho, falta de motivação para trabalhar, alteração repentina de humor, depressão, ansiedade, baixa autoestima, dificuldade de concentração e pessimismo.

Alguns sintomas também podem ser físicos, como dores de cabeça constantes, enxaqueca, enrijecimento muscular, fadiga, palpitação, alteração da pressão arterial, insônia, problemas gastrintestinais, baixa imunidade trazendo quadros rotineiros de gripes e resfriados recorrentes.

Condições que favorecem a síndrome

O início dos sintomas pode se dar por um acúmulo de tarefas, elevado senso de responsabilidade, alto nível de exigência consigo mesmo ou pressão exageradas por parte de líderes e gestores, bem como, alta demanda de trabalho. Esse cenário tende a favorecer a sensação de impotência e a falta de perspectiva, que junto com a sobrecarga de trabalho permitem o quadro.

Outro fator de extrema relevância foi a mudança brusca no mercado de trabalho com a expansão da tecnologia, onde o indivíduo está boa parte do seu tempo conectado a uma tela e isso acarreta numa mente o tempo ligada. Ao mesmo tempo que a tecnologia permite maior liberdade e mais autonomia tende gerar a sensação de que as pessoas devem estar disponíveis em tempo integral ao trabalho, uma vez que podem responder e-mails e mensagens facilmente do seu celular. Isso traz um excesso de carga horária, mesmo quando a pessoa está fora do ambiente de trabalho o que, associado às cobranças e pressão, pode piorar ou favorecer o quadro de burnout. Além disso, a diversidade de canais de comunicação disponíveis pode levar a uma sensação de sobrecarga, o que pode desencadear uma maior dificuldade de alinhamento de prioridades, excesso de cobrança, ruídos e distorções na comunicação, sentimentos negativos e percepção de maior distanciamento e frieza por parte dos gestores ou da empresa.

Como prevenir

  1. Estabeleça pequenos objetivos na vida profissional e pessoal;
  2. Participe de atividades de lazer com amigos e familiares;
  3. Atividades físicas com frequência, assim como práticas de relaxamento
  4. Evite o consumo álcool, tabaco e outras drogas, pois o uso de substâncias tende a piorar os sintomas de transtornos mentais;
  5. Busque controlar o tempo de exposição as telas como: notebook, celular, tablets, tvs, etc.
  6. Manter rotina de sono adequada.

Para prevenção da doença levar uma rotina equilibrada com tempo para descanso e lazer e estabelecer uma boa relação com o trabalho, independente da área de atuação é fundamental.

Isso porque o transtorno não afeta apenas a carreira profissional, afeta também a vida social, a autoestima, a saúde emocional e mental.

Se você possui algum dos sintomas, busque ajuda de pessoas da sua confiança e procure especialistas.