
CONCURSO EM FOCO | Com Professor Estevão Machado Athaydes
Hoje falaremos sobre uma das grandes dúvidas de nosso idioma: o uso dos porquês. O estudante de língua portuguesa, inclusive aquele tem o português como idioma de comunicação, tem certa dificuldade quando necessita escrever conforme a norma culta utilizando o famigerado porquê
Postado em 06/10/2022 10:57

Professor Estevão Machado Athaydes: Inspetor de polícia civil do Rio Grande do Sul, bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade Luterana do Brasil, licenciando em Filosofia pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro, MESTRE EM EDUCAÇÃO PELA UNIVERSIDAD DE JAÉN, ESPANHA | EXCLUSIVO PARA O JS
Na verdade, não é tão difícil, haja vista que há somente quatro variações, as quais dependem do contexto gramatical em que está sendo empregado. São elas: “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”.
Pois bem, vamos lá! Aprendemos Quando a frase contém uma oração coordenada sindética explicativa o conectivo utilizado é o “porque” junto e sem acento. Exemplo: Goste de manteiga de garrafa porque lembro de minha infância. Na frase de exemplo, é explicada a razão pela qual eu gosto de manteiga de garrafa, ou seja, ela me faz lembrar minha infância. Mas professor, tem como ensinar um macete? A dica é: quando posso trocar o “porque” da frase por “pois” sem mudar o sentido, usa-se “porque” junto e sem acento.
Vejamos agora o uso do “por que” separado com e sem acento. Esses são utilizados quando se quer fazer uma pergunta direta ou indireta. Exemplo de pergunta direta: Por que ela não foi? Exemplo de pergunta indireta: Eu não sabia por que ela não foi. Veja que nos dois há uma dúvida e dúvida é sempre “por que” separado. Usa-se o acento quando é uma pergunta que precede uma pontuação. Veja-se. Ela não veio por quê?
A última forma é o “porquê” junto e com acento, isso ocorre quando o porque é substantivado, a dica é que sempre se pode trocar por “motivo”. Perceba: Eu não sei o porquê disso tudo. Eu não sei o motivo disso tudo. Tal forma, como é substantiva também aceita a variação de número (singular e plural), exemplo: os porquês.
O que confunde e dificulta, às vezes, é que o avaliador inverte as orações coordenadas sindéticas explicativas e quando a pergunta é indireta.
Vejamos o caso da ordem indireta do “porque” explicativo: Porque estudou, ele havia passado na prova. Essa frase poderia ser escrita: Ele havia passado na prova pois estudou.
No caso da pergunta indireta, podemos utilizar como exemplo quando o narrador fala sobre a dúvida de terceiro. Exemplo: Nunca entendi por que ela gostava tanto de dançar. Há uma pergunta implícita nessa frase: por que ela gosta tanto de dançar.
Agora que você já sabe como utilizar os porquês vamos fazer um exercício com uma questão da Banca FGV (Fundação Getúlio Vargas):
Assinale a alternativa correta quanto ao uso de porque, porquê, por que, por quê:
O gabarito correto é letra “c”