
Investimentos em infraestrutura e logística, uma prioridade para o semiárido
Encerra-se o primeiro mês de governo estadual e parte da energia foi usada nas costuras que se seguiram a um decreto de remanejamento de pessoal. Ainda há remendo a fazer, mas o certo é que uma boa dose do capital político em caixa foi usada no apagar fogo
Postado em 26/01/2023 21:10

Jornal do Sertão
No primeiro momento a disputa pelos cargos
Encerra-se o primeiro mês de governo estadual e parte da energia foi usada nas costuras que se seguiram a um decreto de remanejamento de pessoal. Ainda há remendo a fazer, mas o certo é que uma boa dose do capital político em caixa foi usada no apagar fogo.
Não é novidade o que ocorreu, afinal todas as transições quando não se dão entre aliados e, em alguns casos, mesmo entre facções do mesmo arranjo é objeto de atritos e acomodações. Segue-se a checagem das contas, o planejamento ações adotando-se a nova linha de governo e o governo que se inicia põe as cartas à mesa.
Momento de iniciar o que se quer para o estado
A campanha foi pobre em debates produtivos e os candidatos com algumas exceções tiveram a oportunidade de deixar claro quais seriam os planos reais para o estado de Pernambuco. Agora começa o jogo e, portanto, a definição das prioridades da gestão para o estado. As demandas não são poucas e requer critérios de escolha criteriosos. Alguns governos se fecham em si a decisão é tomada de cima para baixo por seus executivos, outros procuram ouvir a população local e priorizar, ao menos em uma fração do orçamento disponível aquilo que foi elencado em incansáveis seminários regionais. Outros fazem de conta que estão ouvindo a população, mas isto não passa de jogo de cena e o que se decide tem pouco a ver com o que foi posto por lideranças que, por seu lado, nem sempre representam a verdadeira base e o anseio local.
O fato é que algumas questões levantadas durante a campanha eleitoral, que foram objeto de alguma atenção, possam voltar à tona e os governos estadual e municipal se movimentem para encaixar as demandas no planejamento dos entes executivos e como obter parte dos recursos a partir das emendas parlamentares.
O transporte continua sendo um freio à integração econômica das regiões
Aqueles cujas atividades pessoais ou empresariais do interior de Pernambuco sabem muito bem é que a infraestrutura viária do estado é insuficiente. Um dos principais gargalos ao crescimento das trocas de mercadoria entre o litoral e o sertão e o transporte de pessoas são as estradas má conservadas ou inadequadas para o fluxo, acarretando maior tempo, custo e, consequentemente redução de lucros e outros efeitos negativos.
Ao se falar em troca e comércio não significa dizer que tudo se resume entre a região metropolitana e os sertões do Araripe e do São Francisco, aqui se trata também da conexão dentro do eixo Norte-Sul, a exemplo do Sertão do Araripe com o Sertão do São Francisco; o sertão do Pajeú com o sertão de Itaparica; o Agreste Setentrional com o Agreste Meridional; a Mata Norte e a Mata Sul, o mesmo ocorrendo entre as demais regiões.
BR 232 ou Transnordestina?
Em se tratando do eixo Leste-Oeste, no segundo semestre de 2022, quando da campanha para o governo estadual voltou a ser debatida a conclusão da Ferrovia Transnordestina, parada no município de Custódia há anos. A novidade foi que o governo federal à época havia anunciado que daria prioridade à conclusão da ferrovia a partir do eixo Salgueiro-Pecém, no Ceará.
Em um afogadilho, a gestão do Porto de Suape anunciou que havia iniciado uma negociação com uma empresa siderúrgica, concorrendo com a que originalmente contratada, chegando a ser divulgada que os novos sócios, também ligados à exploração de minérios, construíram uma nova ferrovia. Algo impensável para uma obra que entre Eliseu Martins (Piauí) e Custódia(Pernambuco), instalou ao redor de 800 km de trilhos.
Portanto, o caminho é outro e dependerá de uma retomada de negociação entre os governos dos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco com o governo federal e, a seguir, chamar à mesa a empresa originalmente contratada para construir a Transnordestina. Um longo processo à vista, com certeza.
A segunda opção é priorizar de imediato a duplicação da BR 232, elemento de integração entre o leste e oeste de Pernambuco. Um candidato chegou a anunciar que uma de suas prioridades seria levar à rodovia duplicada de São Caetano à Serra Talhada em uma ampliação do km 147 ao km 420. Algo arrojado, mas, conforme posto em outros textos anteriores, nada extraordinário uma vez que o governo do vizinho estado de Alagoas está concluindo a ampliação de uma rodovia estadual entre Maceió e Delmiro Gouveia, o que representa 320 km de extensão.
Qualquer que seja a prioridade elencada haverá a necessidade de se contar com um arranjo político-empresarial muito bem costurado dentro do estado de Pernambuco de modo a viabilizar as negociações com os atores externos.
É melhor começar logo
Provavelmente os candidatos eleitos no último pleito tiveram a oportunidade de viajar inúmeras vezes entre o sertão e o cais e, provavelmente, perceberam o que representa o tráfego de caminhões e carretas na BR 232.
Neste sentido e considerando que, apesar da força política demonstrada pelo estado na composição do primeiro escalão do governo federal, o governo estadual terá que pavimentar seu diálogo com o governo central, quão mais cedo forem iniciadas as tratativas entre as partes, maiores chances hão de se viabilizar soluções para duas das prioridades mais estratégicas para o estado de Pernambuco no momento atual.
Em seguindo-se a hipótese de que o semiárido do estado, compreendendo as macrorregiões do Agreste e do Sertão é uma nave que decolou, cabe a seus dirigentes investir tempo e energia na conclusão de uma pista de qualidade de tal modo que quando a nave tiver que aterrissar encontre um piso em extensão e qualidade que não a danifique. Enquanto isto, o agro, o comércio, a indústria e os serviços esperam ansiosos por iniciativas deste porte.