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Pernambuco, 07 de maio de 2026

Agronegócios

Atualização dos sistemas de produção de hortaliças e frutas no Vale

A partir da metade dos anos setenta, com o lançamento de uma série de variedades amarelas e vermelhas, adaptadas ao primeiro e ao segundo semestre no Vale, prevaleceu o cultivo desses materiais. Até hoje as cultivares de cebola IPA 10 e IPA 11, bem como a Alfa São Francisco são muito bem recebidas no Vale do São Francisco e em regiões produtoras nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Postado em 09/02/2023 21:35

Colunista

Jornal do Sertão

A cebola como precursora

Já foi objeto de alguns textos anteriores importância da cultura da cebola como opção inicial nas áreas irrigadas no município de Cabrobó há seis décadas. Primeiro utilizando-se de sementes produzidas em outros países como as cultivares Amarela Chata das Canárias e Texas Grano, bem como os materiais conhecidos como crioulos, cultivados no Rio Grande do Sul, em especial.

A partir da metade dos anos setenta, com o lançamento de uma série de variedades amarelas e vermelhas, adaptadas ao primeiro e ao segundo semestre no Vale, prevaleceu o cultivo desses materiais. Até hoje as cultivares de cebola IPA 10 e IPA 11, bem como a Alfa São Francisco são muito bem recebidas no Vale do São Francisco e em regiões produtoras nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

A partir do início deste século, os híbridos de cebola foram ganhando força e passaram a ser adotados entre os agricultores com maior capacidade de investimento. Ser moderno entre os produtores de cebola era adotar os híbridos recomendados por várias empresas especializadas em melhoramento genético, produção e comercialização.

Os dois grupos de materiais genéticos não são incompatíveis e merecem ser objeto de atenção do ponto de vista técnico, além do mais será importante se continuar apoiando programas públicos, como os da Embrapa e do IPA e aos privados, em especial a iniciativas de empresas locais como é o caso da Hortivale, com sede em Vitória de Santo Antão e base de operação em Petrolina.

O grande salto da produção de uvas sem sem

Este preâmbulo tem a ver com o que está ocorrendo com o cultivo de uva para mesa. Nos anos setenta as áreas cultivadas usavam predominantemente os materiais com sementes, a exemplo da Itália e da Red Globe. A seguir houve uma corrida para o cultivo da Thompson Seedless, uma variedade americana, de cor verde, sem sementes, mas que, por longo tempo, até o apoio do Sebrae PE a uma visita técnica de um professor de Oklahoma não atingia um bom tamanho de baga para o mercado. Após o domínio do manejo adequado, por um período de ao menos vinte anos, esta cultivar foi a preferida no Vale.

Atualmente, foram adotados vários materiais produzidos pelo programa nacional de melhoramento de uva, da Embrapa e sabendo-se da evolução do mercado internacional, desde há dez anos, as empresas privadas e viveiristas se associaram a empresas de Israel, Estados Unidos e alguns outros países no sentido de ter acesso, mesmo cumprindo com as cláusulas de propriedade intelectual e pagamento de royalties, quando do uso de materiais desenvolvidos por tais parceiros.

A cultivar Vitória um presente de Deus pelas mãos da Embrapa

O melhoramento genético vegetal, demonstrado de modo técnico desde Mendel, é a área do conhecimento agronômico que mais tem contribuído com o aumento de produtividade através da incorporação de genes para resistência a doenças e pragas, precocidade, tolerância a altas temperaturas e outros fatores abióticos, bem como a aparência e qualidade dos frutos na maioria das frutas e hortaliças nas últimas décadas.

Em se tratando da uva para mesa, o desenvolvimento da cultivar Vitória, pela equipe técnica de profissionais da Embrapa Uva e Vinho, contando com a colaboração de pesquisadores da Estação Experimental de Jales, em São Paulo e da Embrapa Semiárido, foi uma das mais relevantes conquistas da agricultura brasileira. Em nenhum momento, no Vale do São Francisco foram colhidas uvas tão saborosas, produtivas e de coloração vermelho escuro dos frutos quanto desta variedade. Este material alcançou o ápice da adoção, a partir do momento em que a maior fração dos novos pomares passaram a utilizar mudas desta variedade, o que se vê nos últimos cinco anos.

Neste momento há uma verdadeira competição para ver quem ´desbanca` a Vitória. Em algum momento ela será gradativamente substituída, entretanto até que chegue este dia, há de se repetir que seu desenvolvimento foi um presente sagrado à viticultura nacional.

Eficiência do uso da terra no cultivo da manga

Já no caso da manga, as cultivares mais encontradas ainda são a Tommy Atkins, a Palmer e a Kent, cultivadas há vinte anos. Ainda não surgiram novas variedades capazes de substitui-las e ao que parece a preferência do mercado internacional por um fruto de Palmer persistirá por muito tempo. Neste caso não houve entre os programas públicos oportunidade de desenvolvimento de novos cultivares que fossem adotados nas regiões mais tropicais do Brasil, como foi o caso da cebola e da uva.

Entretanto, o que existe de impressionante é a população adotada por hectare cultivado com manga comparando-se os plantios atuais com o que era estabelecido como padrão há trinta anos. No início eram utilizadas 83 plantas por hectare em um espaçamento de doze metros entre filas e dez entre plantas. Hoje as filas estão separadas por quatro metros e meio, ou menos, e a distância entre plantas se reduziu a dois metros e meio, o que equivale a 889 plantas por hectare ou um adensamento dez vezes superior ao adotada nas primeiras áreas exploradas. Uma mudança radical e quase inimaginável.

Os avanças na indução floral. Um constante aprendizado

Ainda no caso do cultivo da manga um avanço reconhecido se deu quanto a indução floral, técnica que permite ao produtor, tal qual ocorre com os parreirais, o escalonamento da floração de seus pomares e a realização colheitas nas épocas de mais propicias para o mercado. Atualmente este processo de indução floral reduziu fortemente os períodos de estresses hídricos aos quais as plantas eram submetidas, o que reduzia as reações bioquímicas da planta e limitava sua produtividade.

Retornando a comentários em crônicas anteriores, face à maturação de um polo de agricultura irrigada considerado entre os mais modernos e atuais do mundo, é indispensável que o conhecimento adotado, em forma de inovação, se expanda para as diversas áreas do Sertão Semiárido. O Vale do São Francisco dá lição de empreendedorismo e adoção tecnológica. Que esta iniciativa seja conhecida e copiada com os ajustes necessários no semiárido como um todo.

Por último deixo um agradecimento especial à empresa Hortivale que apoia a execução do trabalho de pesquisa de uma aluna do mestrado da UFRPE-UAST, e Serra Talhada, em sua fazenda experimental em Petrolina. Esta é uma opção em promover a aproximação entre a academia e a iniciativa privada resultando no ganho comum.

 

Professor Titular da UFRPE-UAST