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Pernambuco, 16 de março de 2026

Saúde e Fé

Cuidados Paliativos, descrevendo e desmistificando

Semana passada publicamos a coluna com um gráfico que descrevia o momento e a abrangência dos cuidados paliativos, mas algumas pessoas não conseguiram entender bem. Então, conseguimos traduzir o gráfico e vamos detalhar as diversas etapas do processo.

Postado em 27/09/2025 19:57

Médico pediatra e professor de pediatria na UPE. Estudante de Teologia, com passagens pelo Seminário Teológico Carismático da Igreja Episcopal e, atualmente, pela Academia Memorial de Ensino Superior (AMESPE).

Durante toda a vida estamos sujeitos a diversos agravos à saúde – doenças e acidentes, principalmente. A maior parte delas tem cura ou são autolimitadas. Nesta fase a prevenção contra riscos e a promoção à saúde são os fundamentos do cuidado, e a terapêutica é quase sempre eficiente (representado no gráfico por um triângulo à esquerda).

 

Quando o diagnóstico de uma doença crônica sem possibilidade de cura ou de uma doença que, potencialmente, pode levar à morte é feito é que devem ser implementados os cuidados paliativos. Eles são concomitantes aos tratamentos curativos disponíveis e os cuidados para prolongamento da vida corresponde no gráfico ao início do retângulo central). 

Observe que doenças crônicas sem possibilidade de cura abre um leque enorme de doenças, das mais comuns até as mais raras. De forma alguma deve-se pensar que os cuidados paliativos só estão indicados naquelas que são raras ou mais graves. Por exemplo: Asma é uma doença crônica sem possibilidade de cura. No manejo de sintomas e nas terapias associadas (como fisioterapia respiratória, por exemplo) aos tratamentos medicamentosos está a importância da paliação. Diabetes Mellitus é outro exemplo, embora haja possibilidade de cura em breve. O diabético precisa das medicações, mas também de uma dieta regulada, de exercícios físicos e apoio psicológico. Isto é paliação. Observe no gráfico que haverá momentos em que os medicamentos serão mais importantes e outros em que os cuidados paliativos estarão em alta (corresponde ao retângulo central com a linha irregular na diagonal).

Entretanto, é nas doenças potencialmente fatais e progressivas ou naquelas que as possibilidades curativas se esgotaram que os cuidados paliativos ganham maior destaque. Porque neste processo em que se aproxima o fim da vida, ou processo de morrer, a equipe de cuidadores deve estar profundamente conectada não somente com o paciente, mas com toda a família e amigos. Os cuidados paliativos nestes casos continuam após a morte, durante o processo de luto (corresponde no gráfico aos dois triângulos finais).