
No Dia Mundial da Gentileza, especialista alerta: Brasil vive escalada de intolerância e precisa reaprender a conviver
Relatórios divulgados em 2025 mostram que o país vive um cenário de tensões persistentes
Postado em 11/11/2025 10:50

Em 13 de novembro, o mundo celebra a gentileza enquanto novos relatórios revelam aumento de racismo, intolerância religiosa e conflitos cotidianos no país. Mentora pernambucana em Comunicação Não-Violenta, Rosa Miranda, explica por que gestos simples podem ser transformadores. O Dia Mundial da Gentileza, comemorado em 13 de novembro, nasceu de um movimento global iniciado em 1996 no Japão e consolidado em 2000 pelo World Kindness Movement. A data virou um lembrete universal: a gentileza tem poder transformador e o mundo precisa dela mais do que nunca. Relatórios divulgados em 2025 mostram que o país vive um cenário de tensões persistentes, com aumento dos casos de racismo, intolerância religiosa e agressividade social, tanto nas ruas quanto nas redes. O comportamento intolerante deixou de ser exceção para se tornar um alerta nacional.
Rosa Miranda defende que a gentileza funciona como um amortecedor social. Em suas mentorias com gestores públicos, servidores, lideranças comunitárias e empresas, ela observa que conflitos evitáveis se multiplicam por falta de gestos simples. As pessoas estão pedindo, mesmo sem dizer, para serem tratadas com delicadeza. Quando alguém oferece gentileza: um ‘bom dia’, um pedido de desculpa, uma escuta verdadeira, e isso muda o ambiente, reduz tensões e melhora decisões coletivas.”
Os gestos que movem o mundo:
Entre as atitudes que mais geram impacto imediato, a especialista destaca:
— Usar “por favor”, “obrigado”, “desculpa”, “com licença”;
— ouvir sem interromper;
— sorrir e fazer contato visual;
— ter paciência no trânsito e em filas;
— ceder espaço, segurar portas, oferecer ajuda;
— elogiar de forma genuína;
— respeitar diferenças e crenças;
— descartar o lixo corretamente;
— evitar reações impulsivas.
A presença da gentileza no ambiente de trabalho deixou de ser tratada como delicadeza opcional e passou a ser encarada como competência estratégica. Empresas que adotam práticas de comunicação empática registram menos conflitos, decisões mais assertivas e equipes mais estáveis.Rosa Miranda, que há anos treina gestores públicos, médicos, magistrados e jovens líderes, reforça que “gentileza não é fraqueza. É maturidade emocional, é inteligência relacional. Quem lidera com gentileza gera equipes mais engajadas, ambientes mais seguros e resultados mais consistentes. Segundo ela, pequenas mudanças de postura — ouvir com atenção, reconhecer esforços, desacelerar respostas ríspidas — produzem efeitos imediatos na reputação institucional e no clima organizacional.
No campo pessoal, a lógica é a mesma: relações melhoram quando as pessoas se sentem vistas e respeitadas. Rosa alerta que o país vive um período de “intolerância acumulada”, no qual “as pessoas reagem rápido demais e escutam de menos”.Para ela, a gentileza atua como freio emocional e como abertura ao diálogo. “A gentileza é uma tecnologia social de baixo custo e alto impacto. Ela previne conflitos, encurta distâncias e devolve humanidade às relações”. Sua experiência mostra que, em empresas e instituições, “pequenas práticas reduzem desgaste, melhoram decisões e evitam crises”, benefício que se estende para famílias, escolas e qualquer espaço de convivência humana.
Quem é Rosa Miranda
Jornalista formada pela UFPE e mestre em Indústrias Criativas pela Unicap, Rosa Miranda é mentora em Comunicação Não-Violenta e consultora em prevenção de conflitos. Já treinou jovens líderes, políticos, desembargadores, juízes, procuradores da República, médicos, gestores públicos e empresários. Trabalhou na edição dos anuários da Justiça Federal e do Trabalho pelo site Consultor Jurídico e atua na JOB Comunicação e Inovação, com foco em relações humanas, design thinking e prevenção de crises.