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Pernambuco, 16 de março de 2026

Entrevista

FADURPE completa 41 anos e reforça atuação no Sertão de Pernambuco sob comando 100% feminino

Com 132 projetos em execução simultânea, a Fadurpe se consolidou como elo entre o conhecimento acadêmico e as necessidades reais da população. No Sertão pernambucano, sua presença tem sido determinante para fortalecer pesquisas e ações voltadas à sustentabilidade, ao desenvolvimento social e à proteção da biodiversidade.
Em entrevista exclusiva, Ellen Viegas detalha os avanços, desafios e as novas perspectivas da Fundação, que chega aos 41 anos reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento do Sertão e de Pernambuco.

Postado em 27/11/2025 09:09

Engenheira Agrônoma Ellen Viegas, primeira mulher a assumir a secretaria executiva da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe).

A engenheira agrônoma Ellen Viegas, assumi a secretaria executiva da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe).  a instituição — que conecta ciência, educação e inovação — é conduzida integralmente por uma equipe feminina, formada também por Ivaneide Strauss, vice, e Patrícia Oliveira, substituta eventual.

A região recebe iniciativas estratégicas, como os estudos da Univasf sobre os impactos do Projeto de Integração do Rio São Francisco na biodiversidade terrestre e aquática, com execução administrativa e financeira apoiada pela Fundação desde 2024 e prevista até 2029. O Sertão também concentra parcerias com a Chesf, incluindo recuperação de áreas degradadas no entorno da Usina de Xingó, e integra a fase final do Projeto de Desenvolvimento Sustentável e Resiliência Climática na Bacia do Rio Pajeú, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente.

JS : A Fadurpe chega aos 41 anos sob um marco histórico: uma gestão totalmente feminina. Como essa liderança tem influenciado o modo de conduzir os projetos e as relações institucionais, especialmente em um ambiente ainda muito marcado por gestões masculinas?

Ellen Viegas: Ao longo desses 41 anos, como bem pontuado, pela primeira vez na história da instituição, a Fadurpe está sendo liderada somente por mulheres. A maior parte dos nossos funcionários é composta por mulheres. Creio que isso nos traz um cenário de planejamento e organização diferenciados.

Como sabemos, as mulheres têm grande potencial para conduzir as circunstâncias com mais humanidade, mais organização e uma gestão bem mais sensível do que a praticada pelo público masculino.

Assumi a secretaria executiva no dia 15 de agosto e, na linha de frente dessa gestão, estão comigo duas profissionais muito competentes e com grandes serviços prestados à Fadurpe: Ivaneide Strauss, como secretária adjunta, e Patrícia Oliveira, como eventual substituta.

Estamos unidas, determinadas e com muita disposição para cumprir essa missão com avanços importantes e excelência.

JS : Hoje, a Fadurpe executa simultaneamente mais de 130 projetos que conectam universidades, governo e sociedade. Na prática, quais são os maiores desafios para transformar o conhecimento acadêmico em resultados concretos para a população?

Ellen Viegas: Todos os nossos projetos, têm uma veia bem diversa. Tem projeto no turismo, comunicação, educação, meio ambiente, assistência técnica, enfim, das mais diversas naturezas. 

Na nossa visão enquanto Fundação, para que esses projetos acadêmicos consigam chegar até a população, eles precisam de planejamento. Eles necessitam de um bom investimento, de um bom alinhamento administrativo. E os resultados acadêmicos, eles precisam ser sempre conduzidos de uma forma que essa ação possa se transformar em um produto a ser entregue para a população. 

Um exemplo que eu vou usar é um dos nossos projetos, que trabalha com reflorestamento da caatinga. Então, é algo extremamente importante. Existem diversas pesquisas que trabalham com reflorestamento de caatinga e de outras biomas, porém um dos projetos que nós estamos executando de forma administrativa e financeira, é o da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).  Esse grupo, ele consegue atrelar reflorestamento de fato, reflorestar o cenário, recuperar um espaço já degradado e socorrer alguns animais que foram ou atropelados ou que sofreram com desmatamento ou com queimadas, enfim,  naquela região. É realmente uma ação estratégica e importantíssima, com benefícios diretos para a comunidade.  

JS: A presença da Fadurpe em projetos estratégicos no Sertão — como os ligados à Univasf, à Chesf e ao Ministério do Meio Ambiente — mostra um olhar voltado ao desenvolvimento regional. Que impactos esses trabalhos já começam a gerar nas comunidades locais e na preservação ambiental?

Ellen Viegas: Nós temos projetos muito estratégicos, e o Sertão é um foco extremamente importante para a Fundação. Os impactos nas comunidades, especialmente em relação a esses projetos, incluem a recuperação de áreas degradadas e o resgate de animais silvestres.

Muitos dos projetos executados administrativa e financeiramente pela Fadurpe também são fonte de renda para diversas famílias, porque a Fundação paga bolsas, realiza contratações e movimenta a economia local. Isso gera empregos e receita para os municípios atendidos.

Para se ter ideia, em um único projeto no Vale do São Francisco, que estuda os impactos da transposição do Rio São Francisco, desenvolvido pela Univasf, nós temos mais de 100 contratações. Isso é extremamente significativo, embora a maioria da população desconheça essa realidade.

O que podemos afirmar é que esses projetos promovem geração de renda, preservação do meio ambiente, proteção dos animais da região e melhoria de espaços que originalmente deveriam ser destinados à produção de alimentos.

JS: A Fundação tem se destacado pela integração entre ciência, educação e inovação. Quais são as apostas para os próximos anos e de que forma a Fadurpe pretende se manter como referência nacional em gestão de projetos de impacto social?

Ellen Viegas: Para os próximos anos, a Fundação vislumbra captar mais projetos que incentivem ainda mais os nossos pesquisadores de excelência, de todas as instituições apoiadas, para que possam transformar ideias positivas em ações concretas. O objetivo é que essas propostas não permaneçam apenas no papel, mas cheguem à população como entregas relevantes — produtos capazes de impactar positivamente as comunidades.

Em relação ao impacto social, a missão é incentivar cada vez mais as instituições apoiadas, para que seus pesquisadores tenham condições e estímulo para avançar em suas pesquisas e convertê-las em transferência de tecnologia ou em entregas significativas para a sociedade. Além disso, a Fundação busca ampliar articulações com outros entes, públicos e privados, para fortalecer projetos de assistência técnica, gerar renda, incentivar o desenvolvimento das comunidades — especialmente as mais carentes — e promover capacitação e melhoria do entorno em que vivem. Vamos trabalhar com muito afinco nesse propósito.