
“Cuidar das Pessoas é Garantir Direitos: O SUAS Como Política de Proteção”
Em dezembro, quando o mundo volta seus olhos para os Direitos Humanos, o Sertão brasileiro reafirma uma compreensão que nasce da própria vida cotidiana: cuidar das pessoas é garantir direitos. Em uma região marcada por vastidões, desafios climáticos, longas distâncias e desigualdades persistentes, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) se consolida como uma política essencial para assegurar dignidade e proteção a quem mais precisa. Não se trata apenas de serviços; trata-se de presença, acolhida e compromisso com a vida.
Postado em 09/12/2025 15:48

O SUAS, por meio dos Centro de Referência de Assistência Social(CRAS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), e Centro de Referência Especializado para população em situação de rua (Centros POP), unidades de acolhimento e equipes que percorrem áreas rurais e comunidades distantes, assume diariamente o papel de porta de entrada da proteção social. É ali, no contato direto com a população, que direitos se tornam realidade. Famílias encontram orientação, crianças e adolescentes recebem apoio, idosos têm suas histórias ouvidas, mulheres em situação de violência podem buscar segurança, e pessoas vivendo nas ruas ou em extrema pobreza encontram amparo diante das dificuldades. O trabalho, muitas vezes silencioso, é a base para que a dignidade não se perca no caminho das carências históricas.
No Sertão, onde o clima severo e a falta de oportunidades agravam vulnerabilidades, a atuação do SUAS ganha contornos ainda mais significativos. As equipes conhecem o território, sabem o nome das pessoas, visitam casas distantes, entendem a cultura local e percebem de perto como cada mudança climática, cada aumento de preços, cada crise econômica afeta diretamente as famílias. Essa escuta qualificada, fundamentada em respeito e ética, transforma o atendimento em um espaço de confiança e reconstrução. Mais do que respostas imediatas, o SUAS oferece acompanhamento contínuo, algo fundamental para romper ciclos de violências, privações e desamparo.
Garantir direitos humanos no Sertão também significa reconhecer e valorizar vínculos familiares e comunitários, fundamentais para a sobrevivência e a resistência das populações sertanejas. Por isso, programas como o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) e os Serviços de Convivência fortalecem não apenas a autoestima de crianças, adolescentes, adultos e idosos, mas incentivam a solidariedade e a cooperação, criando redes de apoio que ultrapassam os limites dos equipamentos públicos. Muitas vezes, um grupo de convivência ou uma oficina se torna o único espaço seguro que determinado usuário possui para desenvolver habilidades, expressar sentimentos ou romper o ciclo do isolamento.
Neste mês de dezembro, as ações realizadas nos territórios ganham simbolismo especial. Em encontros comunitários, rodas de conversa, apresentações culturais, campanhas educativas e mutirões de orientação, o SUAS mostra que direitos humanos não são apenas palavras inspiradoras em declarações internacionais, mas práticas concretas, vividas no dia a dia. É no sorriso de uma criança que volta a frequentar a escola, na segurança de uma mulher que consegue romper o silêncio, no cuidado oferecido a uma pessoa idosa que vivia sozinha, que a política pública revela sua força transformadora.
O Sertão, com suas complexidades e sua gente forte, ensina que cuidar das pessoas é um ato de humanidade, mas também um dever do Estado. Em um cenário muitas vezes marcado por escassez, o SUAS atua como uma ponte entre desafios e oportunidades, entre vulnerabilidades e direitos. E é exatamente essa presença constante, nas estradas poeirentas, nos povoados distantes, nos bairros urbanos mais carentes , que reafirma todos os dias o compromisso com a proteção social.
Assim, ao encerrar mais um ano, os municípios sertanejos reforçam uma mensagem que ultrapassa o calendário de dezembro: garantir direitos humanos não é tarefa apenas comemorativa, mas um trabalho que se renova diariamente. E, ao demonstrar que cada pessoa importa, o SUAS reafirma seu papel como política pública essencial, capaz de transformar realidades e fortalecer a dignidade de cada cidadão do Sertão.