
Acordo UE–Mercosul abre novos mercados e fortalece a economia de Pernambuco
Tratado aprovado pela União Europeia reduz tarifas, amplia cotas agrícolas e fortalece setores estratégicos da economia pernambucana
Postado em 12/01/2026 10:10

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Pelo acordo, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações europeias, incluindo automóveis, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos, em prazos que podem chegar a 15 anos. Em contrapartida, a União Europeia eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, com período de transição de até dez anos, ampliando o acesso de produtos agrícolas e industriais sul-americanos ao mercado europeu.
No setor agropecuário, a UE zerará tarifas para 77% dos produtos importados do Mercosul. Para itens considerados sensíveis, como a carne bovina, foram estabelecidas cotas ampliadas, com adicional de 99 mil toneladas. O Mercosul, por sua vez, concederá à União Europeia uma cota de 30 mil toneladas de queijos com isenção tarifária. Produtos como açúcar, etanol e sucos — com destaque para o suco de laranja não concentrado (NFC) — terão redução progressiva de tarifas até a isenção total em até quatro anos.
Para Pernambuco, o acordo dialoga diretamente com a atual pauta de comércio exterior do Estado. As exportações pernambucanas para a União Europeia concentram-se em mangas, uvas, derivados de petróleo, açúcares de cana e frutas cítricas, como o limão. Em 2025, o Estado exportou US$ 144,9 milhões para o bloco europeu, um crescimento de 7,9% em relação a 2024.
A eliminação de tarifas e a ampliação de cotas tendem a aumentar a previsibilidade comercial e reduzir custos de acesso ao mercado europeu, beneficiando cadeias tradicionais da economia estadual, como a fruticultura irrigada, o setor sucroenergético e a logística portuária.
No sentido inverso, Pernambuco importa da União Europeia principalmente combustíveis, como gasolina, óleo diesel e querosene de aviação, além de motores e peças para tratores e veículos automotores. A redução tarifária nesses produtos pode impactar positivamente os custos de transporte, energia e operação de diversos segmentos produtivos e do comércio.
Em termos macroeconômicos, a Comissão Europeia estima que o acordo gere uma economia anual próxima de 4 bilhões de euros em tarifas para empresas europeias, ao mesmo tempo em que fortalece a inserção internacional do Mercosul nas cadeias globais de produção. O tratado também estabelece regras para investimentos, compras governamentais e prestação de serviços, contribuindo para um ambiente de negócios mais estável.
Para a Fecomércio-PE, o novo marco comercial favorece a internacionalização das empresas pernambucanas, especialmente médias e grandes companhias do agronegócio, da indústria de alimentos e da logística, além de ampliar a concorrência interna e criar novas oportunidades de acesso ao mercado europeu.