
Plano bilionário para aviação: Governo Federal e Aena anunciam R$ 9,2 bilhões em modernização de 11 aeroportos
Pacote financiado pelo BNDES integra o Novo PAC, amplia capacidade operacional e reforça estratégia de interiorização da aviação em quatro estados
Postado em 13/02/2026 12:13

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a concessionária Aena Brasil anunciaram, na última quarta-feira (11), no Palácio do Planalto, um plano de investimentos de R$ 9,2 bilhões para a modernização da infraestrutura aeroportuária em quatro estados brasileiros: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais.
O pacote, considerado um dos maiores da história recente do setor, combina investimentos em ampliação e modernização física (CAPEX) com recursos destinados à operação e manutenção dos terminais (OPEX) ao longo do contrato de concessão.
Do total anunciado, R$ 6,2 bilhões serão direcionados ao bloco de 11 aeroportos arrematado na última rodada de concessões. Desse montante, R$ 4,6 bilhões contarão com financiamento do BNDES, dentro das ações do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Outros R$ 3,1 bilhões estão sendo aplicados nos aeroportos do Nordeste já administrados pela concessionária, consolidando a presença da empresa, que responde por cerca de 20% do tráfego aéreo nacional.
A estratégia do investimento atua em duas frentes: enfrentar gargalos históricos da aviação civil — especialmente em grandes centros — e ampliar a conectividade regional, estimulando o desenvolvimento econômico fora dos eixos tradicionais.
O principal projeto do pacote é a modernização do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que receberá R$ 2,6 bilhões. O terminal de passageiros será ampliado para 135 mil metros quadrados, o número de pontes de embarque passará de 12 para 19, além de expansão dos pátios e da área comercial. A conclusão das obras está prevista para junho de 2028.
Segundo o ministro Silvio Costa Filho, o investimento reforça a política de interiorização da aviação. “Estamos executando o maior programa de aviação regional da história. É essencial ampliar grandes hubs como Congonhas, mas também garantir crescimento no interior, conectando o Brasil profundo aos grandes mercados”, afirmou.
Além de Congonhas, o plano contempla aeroportos em Minas Gerais (Uberlândia, Uberaba e Montes Claros), Mato Grosso do Sul (Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá) e Pará (Santarém, Marabá, Carajás e Altamira). As obras nesses terminais têm conclusão prevista para 2026.
Com as melhorias, o conjunto de aeroportos — que atualmente movimenta cerca de 29 milhões de passageiros por ano — terá capacidade ampliada para mais de 40 milhões, elevando a eficiência logística, fortalecendo cadeias produtivas regionais e ampliando o potencial de atração de investimentos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o papel do banco público no financiamento da infraestrutura e a adoção de novos instrumentos financeiros para viabilizar o projeto. Segundo ele, o ciclo atual de investimentos tem gerado emprego, impulsionado a economia e fortalecido a competitividade do país.
Para o presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, o momento representa um marco na relação de longo prazo da companhia espanhola com o Brasil. “Estamos formalizando a maior operação de financiamento para infraestrutura aeroportuária da história do país. Esse investimento demonstra nossa confiança no crescimento do Brasil e na ampliação da conectividade nacional e internacional”, afirmou.
Para o setor produtivo, o pacote reforça a infraestrutura aeroportuária como ativo estratégico para o crescimento econômico. A ampliação da capacidade operacional reduz gargalos logísticos, estimula o turismo de negócios, facilita o escoamento de cargas e melhora o ambiente para novos empreendimentos.
O anúncio sinaliza, ainda, a consolidação de um novo ciclo de investimentos em infraestrutura, com participação ativa do capital privado e apoio estruturado do setor público, fortalecendo a aviação como vetor de desenvolvimento regional e nacional.