
Há um livro, “Médico de Homens e de Almas”, de Taylor Caldwell, publicado pela primeira vez no final da década de 1950. A autora traz uma biografia romanceada de São Lucas, o médico amado, como diz Paulo. Lucas escreveu o Evangelho segundo Lucas, e o Livro de Atos dos Apóstolos.
Em certa passagem, não muito próxima à conversão do então acadêmico de Medicina na Universidade de Alexandria, Lucas (ou Lucano, como era chamado na época), revela algumas questões interessantes e que o angustiava: “Que explicação há para tantas enfermidades que acometem os homens?”; ou “Por que deve uma criança sofrer, e um homem ter a aflição da lepra?”; ou, ainda: “Seriam consequências de ofensas a Deus”?
A resposta de José ben Gamliel
O mestre judeu na Universidade de Alexandria, que ensinava Filosofia e Religião Oriental aos alunos de todas as escolas da universidade, José ben Gamliel, conhecia Lucano mais profundamente do que o próprio imaginava. Ele dizia: “…a mão de Adonai está sobre ti, eu O sinto junto de ti…”
Quando ouviu de Lucas as queixas, teria respondido: – “Jó foi homem angustiado, chorou por ele próprio e pelos seus semelhantes e censurou Deus pelo que parecia a miséria sem sentido da Terra. E Deus respondeu-lhe dizendo (entre outras coisas): ‘Por acaso deste tu ordens às manhãs, desde os teus dias, e levaste a aurora a conhecer seu lugar… Entraste nas nascentes do mar?… Viste as portas da sombra da morte?… Quem fornece o alimento ao corvo, quando seus filhotes gritam para Deus?…’; e continuou Gamliel: – portanto, amado, a sua angústia não é somente sua, e, de forma alguma, incompreensível para o Todo-Poderoso, ao contrário, Ele pode te dizer, se inclinares os ouvidos atentos: ‘os meus propósitos e os meus decretos são justos e perfeitos, mesmo que não pareçam assim aos seus olhos; espera e confia, tão somente’. Assim, meu querido, se temes ter Deus no coração por causa da angústia que a Lei de Deus trará a ti, saiba que junto a estas angústias virão luz, pão para a alma que excede a todo entendimento, deleite espiritual e amor para preencher o vazio que o homem tem no peito.”
O encontro com o médico dos médicos
Nas curvas, agudas, de sua peregrinação, Lucano experimentou a melancolia e quase desespero por sua revolta contra o sofrimento humano e a morte. Quando o dia que virou noite e um grande tremor de terra o alcançaram em casa, em Atenas, Lucano teve medo, e já não era médico, nem filósofo, nem cientista. Nos seus jardins, quando a luz do sol voltou, soube que precisava investigar o fenômeno que acontecera. Então, com sua mente perspicaz, viajou até a Judeia, onde vários testemunhos o levaram a crer que Jesus de Nazaré, era o Messias que foi humilhado e morto em uma cruz, em Jerusalém. Esta era a explicação para a escuridão e o terremoto.
Passa a registrar tudo o que ouve e vê a respeito de Jesus Cristo, com método e profunda erudição. Busca entrevistar os que testemunharam o ministério de Jesus Cristo, inclusive aqueles que não creram nas suas palavras.
Em Antioquia, algum tempo após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, Lucano tem a oportunidade de entrevistar uma mulher, Maria, mãe de Jesus. Ali, o coração de Lucano se abrandou, e ele percebeu que, assim como aquela mãe, também ele é filho de Jesus. Ele entendeu que Deus não é um observador distante do sofrimento, mas alguém que participou dele. Ele deixou de ser apenas o “médico do corpo” para aceitar sua missão como “médico de almas”.







