O Banco do Nordeste (BNB) e a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec Brasil) apresentaram, nesta quinta-feira (12), no Recife, o potencial do mercado de capitais como alternativa de financiamento para empresas.
Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a captação por meio de títulos de dívida — como debêntures, notas comerciais e notas promissórias — somou R$ 544,8 bilhões em 2025, recursos que podem ser destinados à expansão de empresas e ao desenvolvimento de novos negócios.
De acordo com o diretor de Ativos de Terceiros do Banco do Nordeste, Antonio Jorge Pontes Guimarães, o mercado de capitais tem papel importante na ampliação das fontes de financiamento para a região.
“Temos como principal fonte de recursos o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) e também trabalhamos com fundos de organismos multilaterais e internacionais. O mercado de capitais tem se mostrado uma fonte complementar relevante, especialmente porque a região demanda cada vez mais recursos”, afirmou.
Segundo o diretor, o banco participa como cotista de fundos de investimento voltados principalmente para infraestrutura e produção rural. Atualmente, o estoque de recursos de tesouraria do BNB aplicados nesses fundos supera R$ 800 milhões.
A gerente de Renda Fixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Lígia, destacou o crescimento das debêntures incentivadas, modalidade destinada ao financiamento de projetos de infraestrutura. Em 2025, esse tipo de investimento movimentou R$ 178 bilhões, um aumento de 31,7% em relação ao ano anterior.
Já o presidente executivo da Apimec Brasil, Ricardo Tadeu Martins, ressaltou que o mercado de capitais ajudou a amenizar os efeitos da alta taxa de juros no país.
“Juros elevados acabam inibindo novos investimentos. Mesmo com uma taxa próxima de 15% ao ano, a desaceleração da economia foi mais moderada do que poderia ser. O mercado de capitais faz diferença justamente por oferecer acesso a investidores com custos mais baixos”, afirmou.
Segundo ele, ainda existe grande espaço para expansão do financiamento empresarial via emissão de dívida, especialmente entre pequenas empresas. A expectativa é que o Regime Fácil, criado pela CVM por meio das Resoluções 231 e 232, amplie o acesso dessas companhias ao mercado de capitais.
A iniciativa integra um acordo de cooperação técnica entre o Banco do Nordeste e a Apimec Brasil para ampliar o diálogo, a capacitação e as oportunidades de financiamento para empresas e investidores da região. O primeiro seminário foi realizado em Fortaleza, em agosto do ano passado.