Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 01 de maio de 2026

Economia

Páscoa de 2026 deve movimentar R$ 410,9 milhões em Pernambuco, aponta Fecomércio-PE

Levantamento indica leve retração no consumo, pressionado pela inflação e pelo endividamento das famílias

Postado em 19/03/2026 13:54

A Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 410,9 milhões na economia de Pernambuco, segundo estudo do Hub de Dados do Comércio, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-PE). Apesar do volume expressivo, a projeção representa uma retração de 2,9% em relação ao ano passado, sinalizando uma desaceleração no consumo durante o período.

A estimativa foi elaborada com base no histórico de arrecadação do ICMS estadual aliado a indicadores macroeconômicos, como inflação, nível de endividamento das famílias e intenção de consumo. Mesmo com a leve queda, a data segue como uma das mais relevantes para o comércio no primeiro semestre.

De acordo com o levantamento, o desempenho das vendas está diretamente ligado ao comportamento do consumidor. O estudo aponta que, a cada ponto de crescimento no Índice de Consumo das Famílias (ICF), há um incremento médio de R$ 4,02 milhões na movimentação financeira do período. Por outro lado, o aumento do endividamento exerce impacto negativo: cada ponto percentual a mais reduz cerca de R$ 6,19 milhões nas vendas relacionadas à Páscoa.

Inflação pressiona produtos tradicionais

Outro fator determinante para o cenário de 2026 é a alta nos preços de itens típicos da data. Nos últimos 12 meses, os chocolates registraram aumento de 26,3%, liderando a inflação entre os produtos sazonais. O achocolatado subiu 17,9%, o bacalhau teve alta de 13,3% e o vinho registrou variação de 11%.

Os reajustes superam o índice geral de inflação, que ficou em 3,81%, e têm levado os consumidores a adaptarem suas escolhas, substituindo produtos ou reduzindo o volume de compras.

Cresce a formalização de pequenos negócios

O período também impacta o comportamento dos empreendedores. Historicamente, os meses que antecedem a Páscoa registram aumento na formalização de microempreendedores individuais (MEIs), impulsionados pela expectativa de vendas.

A projeção indica que Pernambuco deve alcançar cerca de 8.898 MEIs formalizados em março e 9.965 em abril, refletindo a preparação para atender à demanda sazonal.

Data segue estratégica para o comércio

Mesmo com a retração prevista, a Páscoa mantém sua importância para o setor. Durante o auge da pandemia, em 2021, a movimentação ficou em R$ 279 milhões (em valores deflacionados). Com a retomada da economia, os números voltaram a crescer, superando R$ 420 milhões em 2024 e 2025.

Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, o momento exige adaptação por parte dos comerciantes. “O consumidor tende a ajustar sua cesta de compras diante da alta de preços. O empresário que souber oferecer alternativas, com diferentes faixas de valor, terá mais chances de aproveitar o fluxo de vendas da data”, afirmou.

O economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, reforça que a elevação dos preços, especialmente do chocolate — impactado por fatores do mercado internacional —, é o principal fator por trás da desaceleração projetada para 2026.