
A temporada 2026 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começa nesta semana, no Agreste de Pernambuco, marcada por um simbolismo especial: o centenário de nascimento do dramaturgo Plínio Pacheco, idealizador do espetáculo. Em sua 57ª edição, a encenação reafirma a força de uma tradição que atravessa gerações e transforma a cidade-teatro em um dos maiores palcos de fé e arte do país.
Realizada na Nova Jerusalém, a cerca de 180 quilômetros do Recife, a temporada segue até o dia 4 de abril, com expectativa de público em torno de 60 mil espectadores. O espaço, considerado o maior teatro ao ar livre do mundo, oferece uma experiência imersiva em meio a muralhas de pedra e cenários monumentais.
Desde sua inauguração, em 1968, o espetáculo ocupa nove palcos distribuídos em uma área de aproximadamente 100 mil metros quadrados. A produção mobiliza centenas de profissionais, incluindo mais de 400 figurantes, para recriar a trajetória de Jesus Cristo com forte impacto visual e emocional.
Neste ano, o ator Dudu Azevedo assume o papel de Jesus, ao lado de um elenco que reúne Beth Goulart (Maria), Marcelo Serrado (Pilatos) e Carlo Porto (Herodes). A escolha reforça a tradição do espetáculo de escalar nomes de destaque para o papel principal, que nos últimos anos foi interpretado por atores como Igor Rickli, Rômulo Arantes Neto, Renato Góes, Juliano Cazarré, Caco Ciocler, Gabriel Braga Nunes, Klebber Toledo, Allan Souza Lima e José Loreto.
Entre as novidades desta edição está a reformulação da cena final. Pela primeira vez, a tradicional ascensão de Jesus foi repaginada com novos recursos tecnológicos, permitindo que o personagem desapareça completamente no céu, ampliando um dos momentos mais aguardados pelo público.
Para Dudu Azevedo, o desafio está em aproximar o personagem da realidade. “Busco humanizar o papel, trazer uma perspectiva mais próxima, para que Jesus seja compreendido como alguém possível para todos nós”, afirmou o ator.
Mais do que um espetáculo, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém se consolida, em 2026, como um patrimônio cultural vivo de Pernambuco, unindo tradição e inovação e mantendo viva a memória afetiva de milhares de espectadores.