
O racha do PP e a aposta de Raquel na fidelidade sobre volume
Adriano Roberto analisa o parcial desembarque do PP do Governo e as consequências para Raquel e para Dudu da Fonte
Postado em 09/04/2026 08:02

A movimentação política de Pernambuco assiste, nestes dias, a um cenário que redefine as linhas de força para as próximas disputas. O desembarque – ou a “expulsão branca” – do núcleo duro do Progressistas (PP) da base de Raquel Lyra não é apenas uma reforma administrativa; é uma declaração de princípios de uma governadora que parece ter cansado do jogo das “meias alianças”. No dia 12 de março passado eu já alertava sobre o perigoso jogo que o deputado Eduardo da Fonte estava fazendo junto ao Governo e os prejuízos que poderia ter com esse jogo. (Veja a matéria clicando aqui)
O Mito da Unidade no PP
Embora Eduardo da Fonte ensaie um discurso de “independência”, o Palácio do Campo das Princesas joga com a realidade dos fatos: o PP não é um bloco monolítico. A manutenção de Kaio Maniçoba no primeiro escalão é a prova viva de que Raquel conseguiu “fatiar” o partido.
Enquanto a cúpula da legenda fala em voo solo, as bases parlamentares calculam o custo de ficar longe das ações do Governo em seus redutos. Observam ainda os índices confusos das pesquisas divulgadas que apontam para uma indefinição de quem realmente vai estar na frente das intenções de votos medidas.
Qualidade vs. Quantidade
Muitos analistas apressados dirão que Raquel perde força ao abrir mão de uma legenda do peso do PP. No entanto, há método nessa estratégia. Ao exonerar indicações ligadas ao grupo que flertava abertamente com a oposição, a governadora limpa o terreno. Ela parece preferir uma base menor, porém coesa e 100% alinhada, do que uma base gigante que, na hora das votações cruciais ou da defesa pública da gestão, se comporta como oposição interna. É a troca da quantidade incerta pela qualidade garantida.
O Poder Sobre o Cronograma
Raquel Lyra tem uma vantagem que seus adversários, às vezes, subestimam: o “tempo”. O calendário eleitoral lhe dá até o dia 5 de agosto – o limite das convenções – para costurar sua chapa definitiva.
Neste intervalo, o Governo tem a máquina na mão para: consolidar entregas, focando nas marcas da gestão para elevar a aprovação popular; e distribuir espaços. As vagas na chapa majoritária (Vice e Senado) são ativos valiosíssimos que serão usados para atrair partidos como o Republicanos, o MDB e garantir que a federação União/PP não seja um bloco de oposição total.
O desembarque do PP, no fim das contas, foi um “desembaque” necessário. A governadora tirou o embaçado da vidraça e agora vê com clareza quem está de que lado. Eduardo da Fonte pode até falar em independência, mas Raquel já mostrou que, no seu governo, quem não joga junto, não ocupa espaço. O jogo agora é de resistência e estratégia, e o campo de batalha final só será desenhado no calor de agosto.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: até onde vai a fidelidade dos deputados ao comando partidário quando o governo acena com a entrega de obras e serviços?