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Pernambuco, 25 de abril de 2026

Cidades

O Lado B do Rádio: Como me tornei, por acaso, a primeira voz da Transamerica FM em Pernambuco

Adriano Roberto deixa um pouco de lado a política, para falar da história do rádio em Perrnambuco

Postado em 24/04/2026 09:38

Jornalista ,

A história oficial do rádio costuma ser contada pelos grandes prefixos, mas os capítulos mais fascinantes acontecem no improviso, entre um cartucho e outro. Hoje, decido trazer a público um fato que não está nos livros, mas que ficou gravado na memória de quem viveu a era de ouro da Transamérica Recife: o dia em que, por uma “emergência” de Roberto Carlos, eu me tornei o primeiro locutor a falar em uma rádio FM no nosso estado.

O Ano era 1985

Eu acabara de voltar de uma temporada em Rondônia, na Rádio Educadora de Guajará-Mirim. No Recife, já estava no ar pela Jovem Cap (Rádio Capibaribe), mas aceitei o convite para ser operador de áudio na Transamérica a nica emissora FM de Pernambuco. Naquela época, a 100.1 MHz era uma ilha tecnológica de som cristalino, mas “muda” localmente. Toda a programação era o que chamávamos de “enlatada”: as músicas e as locuções vinham de São Paulo. Até os comerciais! Se um cliente local quisesse anunciar, o texto ia para o Sudeste, era gravado lá e voltava por correio, em cartuchos, uma semana depois.

O “Xeque-Mate” de Pinga e Roberto Carlos

O lendário empresário José Carlos Mendonça – o Pinga – trazia o Rei Roberto Carlos para uma apresentação no Geraldão. No meio do caminho, surgiu um acordo de cavalheiros: Paulo Brós, dono do icônico restaurante “O Laçador”, em Boa Viagem, convenceu Pinga (seu grande amigo) a levar o Rei para um show exclusivo de uma hora em seu estabelecimento. O acerto aconteceu em uma sexta-feira. O show era iminente. Paulo tinha conta na Transamérica, mas não havia tempo humano para mandar o texto para São Paulo, gravar e esperar o cartucho chegar pelo correio.

O Momento do Improviso

Foi então que o diretor da rádio, Abraão, olhou para mim na mesa de operações. Com o apoio de Nenéo, meu colega de técnica, recebi a missão: “Adriano, grava isso agora. Não tem como esperar São Paulo”.

Entrei no estúdio, liguei o microfone e soltei a voz. Gravei a chamada para o show de Roberto Carlos no Laçador. Naquele instante, quebrei o ciclo das vozes paulistas que dominavam o dial estéreo. Pela primeira vez, uma voz local ecoava na primeira (e na época, única) rádio FM de Pernambuco. – Recentemente, em outubro de 2025, a Rede Transamérica passou por uma reformulação completa, encerrando sua fase musical tradicional para se tornar a TMC (Transamérica Media Company), com foco em jornalismo e coberturas ao vivo.

A História que os Livros não Contam

Muitos nomes são citados como pioneiros, mas a verdade técnica e histórica é que aquele comercial, feito às pressas para salvar um evento do Rei, marcou a estreia da locução local na Transamerica FM pernambucana. Não houve festa de lançamento ou placa de prata. Houve apenas o trabalho de um radialista que, vindo do AM, aluno do Colégio São Bento de padre Marcelo Barros e do colégio Bairro Novo do professor Caio, trouxe a alma do Nordeste para a frequência modulada. Os então colegas operadores: Nenéo de Carvalho, também nosso Biral e o diretor da rádio Abraão foram as testemunhas oculares desse marco. Hoje, divido essa história com vocês, leitores do blog, para que o registro não se perca no chiado do dial e do tempo.