
O inverno como juiz: entre parques alagáveis e o teste das encostas
Adriano Roberto analisa o efeito das chuvas de maio, que ainda vão desaguar, nas campanhas do ex-prefeito e da governadora
Postado em 14/05/2026 07:03

As chuvas de maio continuam e, com elas, a angústia de quem vive na Região Metropolitana do Recife volta a subir junto com o nível das marés. Mas em 2026, as águas de maio trazem um componente extra: o termômetro eleitoral. Para a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos, a gestão das chuvas deixou de ser apenas uma questão de Defesa Civil para se tornar o principal “test drive” de eficiência administrativa diante dos olhos do eleitorado.
De um lado, o Palácio do Campo das Princesas tenta acelerar as obras do “PE na Estrada” e reforçar o apoio aos municípios sertanejos e do Agreste, buscando mostrar que o olhar do Estado é macro. Raquel sabe que qualquer falha na infraestrutura estadual em momentos críticos será usada como munição pela oposição, que não perdoa a lentidão em entregas estruturais prometidas desde o início da gestão.
Do outro lado, João Campos aposta no marketing da inovação. Os chamados “parques alagáveis”, como o do Jardim Uchôa, são vendidos como a solução moderna para um problema secular. É uma estratégia de alto risco: se os parques segurarem a água, João consolida a imagem de gestor arrojado e tecnológico. Se o Recife parar – como costuma parar – o discurso da “Cidade Inteligente” pode acabar submerso pela realidade das ruas intransitáveis.
O fato é que, enquanto as redes sociais dos gestores transbordam alertas e vídeos de obras, o cidadão que mora no morro ou na beira do canal quer saber se a engenharia vai vencer a natureza antes que o próximo temporal caia. No tabuleiro de 2026, quem navegar melhor por essas águas turvas sairá na frente.
A conferir como cada um se sai nesse teste de fogo… ou melhor, de água.
A conexão Brasília-Pernambuco quer saber: Entre a vitrine tecnológica da capital e a estrutura macro do estado, quem você acredita que entregará a solução mais eficaz para o inverno pernambucano?