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Pernambuco, 07 de maio de 2026

Economia

Alta dos Preços Pressionam Custos de vida no Sertão

Produtores brasileiros, têm preferido exportar carne e  soja, aproveitando  o alto preço do  dólar neste momento  o que gera escassez do produto   no mercado interno, além de elevar os preços

Postado em 10/12/2020 09:25

Foto: Divulgação

Neste momento de dólar alto  é  mais vantajoso,  em termos de ganhos para o produtor,  exportar seus produtos  que colocá-los no mercado interno. Com oferta reduzida e demanda alta,  há tendência no aumento dos preços.

Existe para certos produtos industrializados uma cadeia de preços que se reflete paralelamente em  todas as regiões brasileiras e o Sertão não está ausente  desse contexto,  está conectado a outras regiões do país.

Há uma centralização na oferta de produtos industrializados ou semi processados em  supermercados de todo território nacional    Sendo assim,  Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) exibem em  suas prateleiras os mesmos   produtos,

Como funciona essa cadeia de ofertas e preços!

“Estas redes compram carnes e todos os produtos mais importantes das grandes empresas. Você entra em supermercado em São Paulo e depois em Juazeiro ou Petrolina e vê praticamente todas as mesmas marcas. Assim, a carne consumida aqui, excluindo  carneiro e caprino, que são produzidos localmente, o restante tem marcas nacionais, a carne bovina é Marfrig ou JBS, o frango é Sadia ou Seara e o Porco também”. Essas cadeia de marcas e produtos influenciam diretamente os preços praticados   no Sertão, explica o Professor João Ricardo Lima, coordenador da pesquisa do custo da cesta básica da Facape , Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina.

Apreciador das carnes vermelhas o brasileiro vive os efeitos da sazonalidade   de preços  elevados neste momento.

Entre os meses de outubro e novembro a carne  sofreu um aumento de 5,29%, segundo a pesquisa mensal do Custo da Cesta Básica elaborada pelo Colegiado de Economia da Facape.

Vender carne e soja para fora está mais vantajoso e os produtores querem aproveitar. Segundo a pesquisa, um trabalhador que ganha em média R$1.045, precisa investir 39,7%  só com a compra de itens da cesta básica.

Enquanto o dólar estiver alto  a tendência é que alguns itens da cesta básica como carne e óleo de soja  continuem aumentando. Esperamos que este cenário se mantenha por mais um período, mas não muito longo, ou seja, que até fevereiro esse cenário de aumento do preço da carne tenha se estabilizado.

Existe a sazonalidade, daqui a pouco aumenta a oferta de carne nos frigoríficos. Pela lei da oferta e da demanda quando ocorre aumento no preço de um produto as pessoas se sentem estimuladas a produzir mais,  pode ser o caso da soja, do arroz e até da própria carne. Tendo mais oferta de produtos o preço cai. Todo período tem um produto que se torna o vilão da economia”, analisa o Professor João Ricardo

“Enquanto o dólar estiver neste patamar a tendência é que os alimentos continuem aumentando. A gente espera que este cenário se mantenha por mais um período mas,  não muito longo. Ou seja, espera-se que até fevereiro esse cenário de aumento do preço  da carne tenha se estabilizado.

“Com  a sazonalidade  daqui a pouco aumenta a oferta de carne no pasto. Pela lei da oferta e da demanda, quando ocorre aumento no preço de um produto, as pessoas se sentem estimuladas a produzir mais e aí pode ser o caso da soja, do arroz e até da própria carne. Tendo mais oferta de produtos o preço cai. Dependendo do  período, sempre haverá um produto  vilão da economia”, analisa o Prof João Ricardo do colegiado de economia da Facape

Carne, óleo de soja, banana e farinha sofrem aumento pelo 3° s consecutivo, aponta pesquisa da  Facape

Em pesquisa apresentada pelo colegiado do curso de Economia da Facape  neste mês de novembro,  os resultados mostram que o custo da Cesta Básica em Juazeiro na Bahia, foi de R$ 406,29 enquanto  em Petrolina – Pernambuco,  foi de R$ 422,75. Assim o custo da cesta básica em Petrolina é maior  que em Juazeiro. A inflação em relação ao mês de outubro foi de 6,58% em Juazeiro (BA) e de 3,41% em Petrolina(PE).

Na cidade pernambucana os produtos que mais tiveram aumento de preços foram óleo de soja, banana, farinha e carne. Em Juazeiro (BA) o aumento dos preços ficou por conta do óleo de soja e da carne. Estes produtos já seguem  em alta,  seguida em outros meses, tanto que em Petrolina (PE) onde o acumulado nos últimos 3 meses do preço de carne é de 18,85%, do óleo de soja é 57,23%,  da banana 21,02% e farinha 20,68%

Além da carne , a farinha(5,98%), banana(8,53%) e o óleo de soja (9,75%) também tiveram aumentos significativos. Com os atuais valores dos itens da cesta básica o sertanejo assalariado,  dispõe de apenas R$ 630,00  por mês para os demais gastos com moradia, transporte, higiene e serviços pessoais. No acumulado dos últimos três meses a alta em Petrolina foi 17,63%.

Um impacto negativo na renda familiar

O petrolinense tem feito malabarismos para lidar com o aumento no preço dos alimentos, o operador de Caixa  Antônio Luiz, trabalha em uma farmácia e sempre almoça no centro da cidade. Ele disse que o aumento no preço da carne já atingiu o seu bolso. “Eu costumava pagar entre 10 e 12 reais em uma marmita, agora pago 14 ou 15 reais”, comenta Antônio Luz.

Foto: Divulgação

Pesquisar é preciso

A consultora de vendas na área de móveis, Louize Passos não faz mais as compras em apenas um supermercado. Ela pesquisa os preços em vários estabelecimentos  e compra cada item em um supermercado diferente. Agora a feira é fragmentada em diversas lojas. “Eu senti o aumento em itens como o arroz, o óleo e a carne, por isso pesquiso, faço um estudo antes e depois compro os itens mais baratos de cada lugar encontrado”, complementa.

O diretor do Programa Municipal de Defesa do Consumidor (Prodecon), Hélder Gomes reforça que a prática adotada pela Louize Passos é a mais adequada para o momento. “A gente atua nos casos em que possa estar havendo prática de margem de lucro abusiva e este não é o caso.

Entender a sazonalidade dos preços

Os aumentos de preços atuais estão relacionados com a escassez destes produtos no mercado interno. Sendo assim a orientação é que o consumidor busque pesquisar quais os locais que estão oferecendo produtos com um preço mais baixo. Recomendamos ir ao supermercado ao longo da semana, pois há muitos supermercados que oferecem bons descontos e que devem ser aproveitados. O consumidor tem uma arma na mão que é o seu dinheiro, por isso,  é importante pesquisar bem para escolher onde comprar com mais vantagens, recomenda o diretor do Prodecon Hélder Gomes.

Efeito das cadeias industriais de produção

O reflexo do aumento de preços em cidades do  Sertão são os  mesmos  enfrentados por todas as cidades brasileiras, pois todas elas   dependem sempre do mesmo fornecedor.

JS Economia