
Como os Sertanejos que moram nos Estados Unidos enfrentam a pandemia do Covid-19
Sertanejos que vivem no Estados Unidos relataram que medidas mais rigorosas na exigência do uso da máscara, reacenderam a sensação de segurança contra a doença
Postado em 07/02/2021 23:41

Profissional de saúde segura ampola com vacina contra a Covid-19 – Foto Reprodução Freepik
De Massachussets (EUA), para o Sertão
Já a Terapeuta Familiar, formada em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, com mestrado em Aconselhamento psicológico e saúde mental com foco em terapia de família e de casal, Monika Libório, que mora na cidade de Brockton, também no estado de Massachussets (EUA), diz ter visto o número de casos aumentarem nas festas de fim de ano.Hoje, ela acredita que o rigor na fiscalização em relação ao cumprimento das atividades permitidas pelos decretos e a circulação de pessoas nas ruas, realizada pelo governo estadual, evita que a pandemia cause estragos maiores.
Segundo dados publicados pelo jornal The New York Times, até hoje, 5 de fevereiro, o estado de Massachussets registrou desde o início da pandemia até aqui 533.921 casos de Covid-19 e 14.784 mortes. De acordo com o portal Mass.gov, a partir do dia 8 de fevereiro o governo irá implementar uma nova fase do decreto de convivência com a doença, liberando, por exemplo, o funcionamento do varejo com até 25% da capacidade e, a realização de reuniões em igrejas, com até 25% de sua capacidade.

Um balanço dos últimos meses da pandemia
“No Natal de 2020 fizemos uma pequena reunião familiar aqui em casa, seguindo as normas de segurança, contra à Covid-19. Eu e o meu marido não contraímos o vírus, graças a Deus. Porém, tivemos vários casos na família, a exemplo do meu filho, que foi visitar uma amiga e ao voltar para casa testou positivo, junto com a esposa; e após se encontrar com a irmã e a cunhada, ambas também testaram positivo. Hoje eu vejo um incentivo maior ao uso da máscara, o que antes não acontecia. Isso junto com a experiência em lidar com a pandemia, tem feito com que nos sintamos mais esperançosos. Por incrível que pareça, eu perdi mais pessoas próximas para o vírus aí, no Sertão brasileiro, do que aqui nos Estados Unidos” explica a entregadora de delivery Risomar Daltro
“Eu vivo como se estivesse no primeiro dia de lockdown. Eu não mudei nada no meu modo de vida. Meu marido é asmático e faz parte do grupo de risco, por isso tomamos todos os cuidados. Eu já recebi a primeira dose da vacina, no último dia 19 de janeiro, por fazer parte do grupo dos profissionais de saúde, ou seja, eu visito as pessoas em suas casas.No dia 16 de fevereiro, devo receber a segunda dose da vacina. Por outro lado, muitos dos meus familiares contraíram a doença, mas eles não estavam em quarentena”, afirmou a terapeuta familiar Monika Libório.

O serviço de saúde
“Infelizmente o meu genro e a minha filha, não têm a mesma sorte. Ele é bancário e aderiu ao seguro de saúde oferecido pela empresa, colocando a família como dependente. Mesmo assim, cada um precisa pagar em média US $1.200mil de copay, ou seja, a taxa médica que deve ser somada ao valor pago pelo seguro de saúde, o equivalente a um co-pagamento. Caso um deles necessite fazer uma consulta deve pagar US $150 na mesma hora. É um valor alto, imagina que US $150 é o que eu ganho em uma semana de trabalho”, explica Risomar Daltro.

A Vacinação extremamente organizada
Segundo Monika Libório, em Brockton, a segunda fase da vacinação já está acontecendo e, neste momento, pessoas acima dos 75 anos de idade e pessoas com comorbidades já estão sendo imunizadas. Ela afirma que a vacinação está sendo “extremamente organizada”. As pessoas recebem materiais de divulgação, tais como bottons, camisetas e todas as orientações sobre a vacina. Além disso, após receberem o imunizante permanecem cerca de 15 min sentadas, sob avaliação, para então serem liberadas pelos paramédicos. Já em Taunton, segundo Risomar, a vacinação ocorre lentamente mas com muita organização, fazendo com que ela e o marido fiquem “ansiosos para receberem a dose”.
A economia deliverou nos Estados Unidos
Risomar diz ter percebido que muitas pessoas mudaram as suas atividades econômicas, com a chegada da pandemia da Covid-19. Pessoas que trabalhavam em lojas, hoje fechadas, passaram a desenvolver outras atividades, como fazer bolos e doces para vender online. A própria Risomar precisou deixar o trabalho como babá, ela cuidava dos netos, enquanto a filha trabalhava e, passou a atuar como entregadora de comida por delivery, no aplicativo DoorsDash. Segundo ela, o trabalho com este aplicativo é mais viável por que ela pode fazer o horário que quiser. Nos EUA, as entregas de delivery só podem ser feitas de carro. Com isso, Risomar trabalha de segunda a sexta, das 11h às 18h. O seu ganho semanal é de US $150.
“Eu faço este horário para poder complementar a renda de casa. Há pessoas que trabalham jornadas mais longas e, com isso, arrecadam até US$1.500 por semana, chegando a US$ 6 mil por mês. Outro aplicativo bastante utilizado aqui é o Instacart . Nele, você se cadastra para fazer compras de supermercados para os clientes. Funciona mais ou menos assim: você recebe uma quota de 25 dólares para fazer uma feira de dez itens, por exemplo. Você deve comprar exatamente esses dez itens da marca que o cliente pediu. Caso algum item não esteja disponível, você pode localizar um item substituto, informar ao app e aguardar o cliente aprovar, para só então comprar. Acho este tipo de aplicativo é muito demorado e muito mais burocrático, por isso, preferi o DoorsDash”, explica Risomar Daltro.

Como funciona o Auxilio Emergencial
No início da pandemia, no mês de abril de 2020, o Governo Federal concedeu uma ajuda emergencial de US $1.200 aos norteamericanos e imigrantes com documentação . Em seguida, o valor concedido foi de US $600 por semana. Agora, este valor foi reduzido para US $300 por semana. Segundo Risomar, o congresso aprovou recentemente uma nova ajuda de US $1.400 por pessoa, na família, mas o pagamento ainda não foi realizado.
Os imigrantes sem documentação não podem receber este valor e também não podem declarar a remuneração recebida com os trabalhos desenvolvidos para, em caso de paralisação das atividades, receberem o seguro-desemprego. No caso dos imigrantes que possuem filhos na escola, independente de terem documentação, estão recebendo um cartão para compras de alimentos no valor equivalente ao que os filhos consumiam na escola.
As Fake News na visão de quem produz notícia para brasileiros nos EUA
O jornalista brasileiro, natural de São Paulo, Jehozadak Pereira, vive na cidade de Framingham, nos Estados Unidos, há 20 anos. Atuou em grandes veículos de língua portuguesa que têm sede nos Estados Unidos, entre eles, a Rádio ABR e os jornais Metropolitan e JS News. Hoje, o jornalista produz notícias para brasileiros no Blog MundoYes.com.
Segundo o profissional, as fake news, ou seja, notícias falsas, têm prestado um desserviço à população brasileira que vive nos Estados Unidos, disseminando ideias do tipo: “a vacina vai introduzir um chip na pele da pessoa, fazendo com que suas informações pessoais sejam repassadas para governantes de determinados países” ou até mesmo, notícias de que estão sendo “vendidos certificados de vacinação para que as pessoas que optem, por não se imunizarem, apresentem o documento atestando o contrário.”
Ao entrevistar os brasileiros, alguns deles, sertanejos, o jornalista diz que sente as pessoas saturadas, cansadas da batalha. Ainda segundo ele, a situação foi mais difícil para os indocumentados, que não tiveram acesso ao Auxílio Emergencial do Governo, contando apenas, com doações de organizações do terceiro setor, a exemplo do Centro do Trabalhador Imigrante, coordenado por Natalícia Gracy, o Brazilian America Center, dirigio por Liliane Costa, e por igrejas locais. As campanhas realizadas por essas organizações, segundo nos conta Jehozadak, arrecadou e doou milhões de cestas básicas para brasileiros que vivem sem documentação nos EUA, durante esta pandemia.]

Jornalista Adriana Amâncio Editor Antônio José