
Uma História de Empreendedorismo e Inovação
O sucesso de uma empresa pernambucana, nascida no Sertão, Hortivale, especializada na produção de sementes de Coentro, Cebola, Quiabo e Feijão Vagem.
Postado em 25/02/2021 12:00
O ambiente para produção de sementes
O clima seco, com baixa umidade do ar é uma ameaça à agricultura de sequeiro, uma vez que torna as folhas verdadeiras aspersoras, mas se constitui em uma vantagem competitiva para a produção de sementes, que além da importância biológica são produtos de alto agregado. Não é à toa que em Petrolina se encontra instalada uma das principais unidades de pesquisa e desenvolvimento de uma das mais importantes empresas de biotecnologia do mundo, sucedânea da Monsanto, cujo foco são os cereais e oleaginosas e, em contraponto, uma unidade de produção e processamento da mais importante empresa de produção de sementes de hortaliças do Nordeste.
Uma empresa genuinamente pernambucana
A empresa em referência é a Hortivale, com sede em Vitória de Santo Antão e unidades de produção ou processamento em Pombos e Petrolina, em Pernambuco; Canudos e Irecê, na Bahia e produtores cooperados no Cedro; Bagé e em Mendonza, Argentina. Fundada pelo Engenheiro Agrônomo Luiz Jorge Wanderley, conta com uma linha de produção de aproximadamente vinte espécies de hortaliças, destacando-se o coentro, a cebola, o quiabo e o feijão vagem.

O curioso é que a Hortivale literalmente criou o mercado de sementes de coentro, no Brasil. Até seu advento era uma hortaliça negligenciada do ponto de vista comercial e cujas sementes eram comercializadas em sacos de ráfia e em sacolas de papel nas feiras livres. O coentro não é apenas cultivado no Brasil, mas aqui é predominante usado na culinária do Norte e Nordeste. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste é consumido entre a população de origem nordestina ou como tempero essencial na inigualável moqueca capixaba.
O Sertão e seus contrastes
O Velho Chico, imponente, bonito, mesmo sem receber o tratamento que merece ainda é a principal força da economia nordestina. É em seu complexo hidroelétrico que a energia regional é gerada e de suas águas um nicho agrícola de expressão foi desenvolvido, o que torna o submédio São Francisco tão atrativo. Os ganhos são visíveis e não é a toa que Petrolina e Juazeiro se constituem em um dos polos mais dinâmicos polos da economia nacional. O exemplo em referência não é único, outros empreendimentos trazem o que existe de mais recente em inovação e conquistas mercadológicas. Opções sempre são benvindas, a Hortivale que o diga.
Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.