
A educação em ciências agrárias fará a diferença nos Sertões
A escassez de vagas e oportunidades
Postado em 29/07/2021 16:45

Nas principais cidades do interior, invariavelmente, mantinham-se as Faculdades de Formação de Professores que tanto fizeram pelo fortalecimento do ensino fundamental e básico. Sem essas escolas, tudo teria sido muito mais difícil. Quando se trata de ciências agrárias, o curso de Agronomia mais antigo do Brasil foi o da Escola Imperial de Agricultura, em Cruz das Almas BA,fundada em 1859, além disso havia a UFRPE, que teve seu curso de Agronomia iniciado em 1912, por monges Beneditinos, em Olinda, a Escola de Agronomia de Areia, na Paraíba, fundada em 1934, antes de ser incorporada à UFPB e a Escola Superior de Agricultura de Mossoró, de 1967, embrião da Universidade Federal Rural do Semiárido. As demais escolas das universidades Federais são mais recentes. Esta era a realidade.
O papel dos Colégios Agrícolas
Sem acesso ao ensino pré-universitário, parte dos jovens de origem humilde tinha como opção o ensino agrícola. Várias escolas ofereciam o ginásio e o curso técnico em agricultura ou agropecuária. Nos colégios agrícolas foram formadas gerações de técnico agrícolas para a atividade sucroalcooleira que consistia na maior fonte empregadora por décadas. Também serviam como passaporte às escassas escolas de ensino superior, em particular à Universidade Federal Rural de Pernambuco, para aqueles que contavam com uma melhor condição financeira ou, com força e persistência, topariam seguir a caminhada. Assim, destacaram-se colégios como o de Barreiros, São Lourenço e Belo Jardim, em Pernambuco;Satuba, em Alagoas e Bananeiras, na Paraíba.
Duas escolas pioneiras: Juazeiro, BA e Araripina, PE
Em se tratando do ensino das agrárias, em particular da Agronomia merecem menção a Escola de Agronomia de Juazeiro, BA, atual Campus da Universidade Estadual da Bahia e a Faculdade de Agronomia de Araripina, PE, uma autarquia municipal que tem sobrevivido com um elevado grau de dificuldade. Essas escolas conseguiram a proeza de interiorizar o ensino de agrárias bem antes da iniciativa de expansão dos Campi Universitários (Programa Reuni) e dos Institutos Federais de Educação, entre os anos 2003 e 2010.

A expansão do ensino superior e o admirável mundo novo
Neste instante há nove cursos de Agronomia no estado de Pernambuco, o último instalado sob a forma de EAD – Ensino à distância. Na configuração econômica e tecnológica atual dificilmente há espaço suficiente para os egressos das escolas em discussão. Daí se verifica a necessidade premente de um novo planejamento em termos de ensino, capacitação, integração do ensino de agrárias com as engenharias e com o mundo digital de forma que das escolas saiam jovens empreendedores, capazes de competirem nos mais diversos mercados, sejam como consultores, empreendedores, professores, pesquisadores, gestores, e até agentes públicos da extensão do ensino e da pesquisa, quando selecionados.
O formas de ensino através das gerações
Os jovens da geração Y e Z já não têm a mesma forma de trabalhar o aprendizado. Já não vêm os livros e os periódicos da forma que os profissionais da geração X viam, nem tampouco as aulas presenciais. Surgiram outras formas de exposição e aprendizado. O importante disto tudo é que independente da época em que nascemos, os desafios no semiárido parecem os mesmos: secas, mudanças climáticas, logística e comunicação. É importante lembrar que se vive em uma época em que a ciência melhor tem contribuído para o bem estar e a prosperidade da humanidade e caberá a eles, os jovens, gostando ou não dos métodos e dos comportamentos considerados ´cringe`, resolverem os principais desafios que persistem e não tentarem empurrar uma possível solução para a geração kapa ou outra qualquer. Os instrumentos estão postos à frente. Mãos à obra.
Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agrônomo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é ex-pesquisador do IPA e Professor Titular em Agricultura e Biodiversidade na UFRPE – UAST, Serra Talhada, PE. Foi Secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Nos últimos anos tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas inovadoras aplicadas à gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.