
Energia elétrica mais cara a partir desta sexta-feira (29)
O índice médio do reajuste tarifário anunciado pela Aneel foi de 18,98%. Para a baixa tensão, que inclui a maior parte dos clientes residenciais, o efeito médio será de 18,97%. A variação percebida pelos clientes atendidos em alta tensão, como indústrias e comércio de médio e grande porte, será de 19,01%.
Postado em 26/04/2022 14:30

Reajuste fica em média 18,97%, segundo Neoenergia /Foto: Reprodução
Prepare os bolsos. A partir desta sexta-feira (29) a conta de energia elétrica sofre reajuste. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela regulamentação do setor elétrico no país, definiu as novas tarifas de energia elétrica que irão vigorar para os mais de 3,8 milhões de clientes atendidos pela Neoenergia Pernambuco. A média de reajuste ficou em 18,97%.
O índice médio do reajuste tarifário anunciado pela Aneel foi de 18,98%. Para a baixa tensão, que inclui a maior parte dos clientes residenciais, o efeito médio será de 18,97%. Com os novos valores, o quilowatt-hora (kWh) aumentou de R$ 0,619 para R$ 0,74. Com isso, um consumidor de baixa tensão que tinha uma conta de luz de R$ 100 vai ter que pagar R$ 118,97 pelo mesmo volume de energia elétrica.
A variação percebida pelos clientes atendidos em alta tensão, como indústrias e comércio de médio e grande porte, será de 19,01%.
De acordo com a Neoenergia, dos percentuais reajustados pela Aneel, a distribuidora responde por 4,5% do total da variação média. Efeitos da escassez hídrica e da inflação impactaram de forma determinante no percentual.
Os custos incorridos com geração de energia e encargos de segurança energética foram um dos que mais impactaram no índice do reajuste, segundo a Neoenergia.
A justificativa da distribuidora também recai na escassez hídrica registrada no ano passado que resultou na redução histórica do nível de água nos reservatórios das hidrelétricas. Em decorrência dessa situação, o Brasil precisou acionar usinas termelétricas de reserva, com custo bem mais elevado de operação.
Mesmo com o atual reajuste, em virtude do fim da Bandeira Tarifária Escassez Hídrica, que estabelecia uma cobrança extra de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, o cliente residencial convencional perceberá uma redução média de 3,4% na conta de energia.
Tributos e custos
Na composição da tarifa, a parte que compete à distribuidora apresenta o menor impacto. Do valor cobrado na fatura, 39,5% são destinados para pagar os custos com a compra e transmissão de energia.
Os tributos (encargos setoriais e impostos) continuam tendo uma grande participação nos custos da tarifa de energia elétrica, representando 37,7% do total. A distribuidora fica 22,7% do valor pago pelos consumidores pernambucanos para cobrir os custos de operação, manutenção, administração do serviço e investimentos.
Isso significa que, para uma conta de R$ 100,00, por exemplo, R$ 22,70 são destinados efetivamente à empresa para operar, manter e expandir todo o sistema elétrico nas 184 cidades atendidas pela distribuidora e na Ilha de Fernando de Noronha.

Indústria reage com repúdio
A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco emitiu nota repudiando o aumento aprovado pela Aneel para a energia elétrica a partir desta sexta-feira (29).
No caso do setor industrial o reajuste tarifário da Neoenergia Pernambuco de 19,01% para os consumidores de alta tensão, em média. “O anúncio chega em um momento crítico para o mercado, que tenta recuperação depois de dois anos enfrentando dificuldades geradas pela pandemia, entre elas os custos dos impostos e os encargos setoriais “, diz trechos da nota.
Ainda segundo a Fiepe, para o mercado, mesmo que o ajuste fosse inevitável, porque ele acontece anualmente, o peso do percentual aprovado vai impactar negativamente tanto as empresas quanto a economia. Isso porque, a energia é considerada um dos principais insumos da indústria.
Para se ter ideia do tamanho desse impacto, segundo pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os efeitos da crise hídrica ainda serão sentidos este ano. Em 2022, o aumento no preço da energia elétrica resultará em uma perda no PIB industrial de R$ 3,8 bilhões a preços de 2020, em comparação ao que ocorreria sem os efeitos da crise. A perda estimada no PIB da indústria de transformação é de R$ 1,7 bilhão.
Ainda conforme o levantamento da CNI, o mercado de trabalho poderá sofrer uma perda de cerca de 290 mil empregos em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021. O consumo das famílias se reduzirá em R$ 12,1 bilhões. Na inflação, será de mais 0,41%. As exportações devem cair aproximadamente R$ 5,2 bilhões. Como se observa, são perdas em efeito cascata, que podem, infelizmente, recair sobre o consumidor.
“Para um Estado em que a sociedade já paga um custo muito alto, mesmo com um dos maiores desempregos do País, é fundamental um esforço do poder público para diminuir esses impactos. Ainda mais agora que Pernambuco está equilibrado financeiramente. Esse seria um momento de fazer sua parte e reduzir o ICMS de energia elétrica de 25% para 18%”, finaliza a Fiepe
* Com informações da Neoenergia Pernambuco e da Fiepe