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Pernambuco, 18 de abril de 2026

Viagens e Turismo

Os sons do sertão: A poesia musicada! | Por Silvia Graciliano

Uma roda de violão, um cordel bem recitado, um repente ligeiro e sagaz, fazem parte da cena cultural das cidades

Postado em 14/05/2022 11:00

Colunista

Silvia Graciliano Turismóloga pela UFPE

Entre tantas artes que enfeitam o nosso sertão, a música é uma das mais preciosas. Ou melhor, a poesia musicada. São tantos artistas, tantas vozes, tanta sensibilidade que as cidades se reconhecem e se encontram na poesia deles.  Uma roda de violão, um cordel bem recitado, um repente ligeiro e sagaz, fazem parte da cena cultural das cidades. Por vezes, parecem ser despretensiosas, mas eis que surge por lá um gigante que solta voz e a mágica acontece.

Ao visitar as cidades do sertão, vá também a procura da música, do cordel, da arte. Boas surpresas te esperam. Algumas cidades têm a sorte de ter ícones representativos da cultura popular da região e essas figuras transformam, positivamente, a cena cultural local. Por isso, me deixem vos apresentar Clênio Sandes, ou Cleninho, para os mais chegados, e esses chegados são centenas.

Através desse artista, poeta, cordelista, contador de causos, radialista (ele é tudo isso e muito mais…) conheci grandes nomes da poesia sertaneja. Cleninho é, sem sombra de dúvida, um dos grandes aglutinadores da musicalidade na região, sendo referência em cultura popular. O vale do São Francisco fica mais rico culturalmente quando pessoas como ele movimentam e divulgam os artistas locais.

Entre tantos excelentes nomes, me atrevo aqui a citar alguns, entre muitos outros, que me proporcionaram momentos musicais inesquecíveis.  Em Santa Maria da Boa Vista, assistindo ao mais belo pôr do sol, me vejo sentada ao lado de Mariano Carvalho. Uma voz poderosa e um violão sublime, Mariano, um matuto de Salgueiro e que vive em Petrolina, complementou perfeitamente aquele fim de tarde às margens do rio São Francisco.

Um momento que jamais vou esquecer. Foi a lembrança da voz poderosa de Mariano que inspirou esse artigo.  E, sortuda que sou, já vivi essa mesma experiência ouvindo o grande Maciel Melo, Wellington Olivier e outros (en)cantadores

Nomes como Neudo Oliveira, Tico Seixas, Maviael Melo, Jorge Guru, Roberto Possidio, banda Secabudega (esses meninos são maravilhosos), Samba de Black (pagode de primeira) estão sempre por perto, apresentando a boa música. Aproveite.

Nos palcos locais, o cordel também tem espaço garantido.  Na poesia dos cordelistas o cotidiano das bucólicas cidades sertanejas é recitado com muita maestria e sensibilidade. O amor é também tema recorrente nos versos dos poetas. Com humor, sátira e muita criatividade, os causos são contados e os personagens desses,  talvez você ainda os encontre nas feiras e bares do sertão. Grandes poetas da poesia e do cordel: Raimundo Medrado, Clênio Sandes, Ninho Pernambuco, Mauricio Menezes e muitos outros.

Após um período sombrio e de isolamento, fica cada vez mais consciente a importância da arte para o nosso equilíbrio emocional. Precisamos da música tanto quanto a música precisa de nós. Façamos a nossa parte “consumindo” a boa música. Os músicos agradecem e o nosso espírito também