Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 18 de abril de 2026

Viagens e Turismo

Temos planos. Precisamos de ações | Por Silvia Graciliano

A região tem um potencial gigante para o turismo. Precisa ser olhada de forma integrada, não mais contemplando municípios isoladamente

Postado em 10/06/2022 19:00

Colunista

O plano que teve como área de planejamento somente os municípios de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande. Foto: Divulgação

Os planos para o desenvolvimento do turismo na Região do Vale do São Francisco pernambucano não são recentes. Com certa regularidade a região é inserida nas políticas públicas de turismo. Contudo, o que se percebe é a baixa efetividade desses programas que se encerram sem os resultados alcançados e se reiniciam com outras roupagens, o que resulta, hoje, numa região a margem do desenvolvimento turístico do estado, com gestores municipais, quase que sozinhos, tentando encontrar o caminho que os levará até as benesses do promissor turismo

Em um dos seus excelentes artigos, a geógrafa Rita de Cassia Ariza Cruz afirma que as Regiões turísticas não são, portanto, mais que construções culturais e, por isso, naturalmente, as sucessivas incorporações e os sucessivos descartes de “regiões turísticas” ao longo da história.  Assistimos com uma certa frequência a esses descartes; essa descontinuidade dos programas, muitas vezes por longos períodos, ocasiona, de certa forma uma marginalização da região – aqui no sentido de ficar à margem do desenvolvimento turístico.

Silvia Graciliano Turismóloga pela UFPE

O PDTIS – Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável – Polo São Francisco – Primeira Versão, 2009, objetivou planejar o desenvolvimento integrado do turismo sustentável no Polo Vale do São Francisco, associado à valorização cultural, à conservação ambiental e a geração de trabalho e renda para as comunidades locais. Esse plano que teve como área de planejamento somente os municípios de Petrolina Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande, tem entre seus preceitos, a adoção de um polo turístico, examinando as vantagens, potencialidades e dificuldades do território, para se iniciar a interiorização do turismo por meio dos projetos do PRODETUR NACIONAL no Polo Vale do São Francisco.

Nesse plano, consta a seleção e priorização de mais de 70 ações a serem desenvolvidas e que foram propostas por meio de um processo participativo, contando com representantes do setor privado, estado e municípios (BRASIL, 2009). Ações pensadas tanto em âmbito municipal como em âmbito territorial e divididas em seções de curto, médio e longo prazo.

Essas ações propostas contemplam desde capacitação até infraestrutura pesadas de engenharia, como construção e recuperação de estradas. É um documento muito importante que registrou, há 13 anos, o clamor pela estruturação da região. A Cidade de Petrolina foi contemplada em mais 60% das ações ali pleiteadas. Lagoa Grande, embora não tenha enviado nenhum representante para elaboração das propostas, como consta no plano, teve atendido alguns dos seus pleitos, sendo o mais relevante a estruturação de acesso a ENOTECA. Santa Maria da Boa Vista, apesar de feitos alguns avanços em ações para o desenvolvimento do turismo, com recursos próprios, não teve nenhuma ação de relevante estrutura atendida pelo PDTIS.

A descontinuidade do PDTIS, do PRODETUR Nacional e outros tantos planos é o retrato da negligência com o desenvolvimento do turismo na região, o que se reflete em  baixo investimento em obras estruturadoras para o turismo nos municípios e, somado a isso, a falta de conhecimento dos gestores municipais do turismo acerca dos órgãos regulamentadores e fomentadores da atividade: Como está o andamento das ações propostas no PDTIS? Onde estão os recursos? como podem chegar até o município? que projetos estruturais serão elos dentro da região? que projetos complementadores farão com que a região se posicione como uma rota turística e enfim, se consolide? Perguntas sem respostas, talvez pelo fato do desconhecimento por parte dos gestores sobre como questionar.

A região tem um potencial gigante para o turismo. Precisa ser olhada de forma integrada, não mais contemplando municípios isoladamente. Criar roteirização, espalhando a oferta turística. Isso é estruturar uma região para o desenvolvimento integrado da atividade turística.