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Pernambuco, 27 de abril de 2026

Saúde e Fé

Bálsamo de Gileade | Uma região montanhosa no lado leste do Rio Jordão

A antiga Palestina, atualmente chamada Jordânia, ia desde o Lago (ou mar) da Galileia até a extremidade norte do Mar Morto, era disputada pelos povos que viviam ao redor por suas boas terras para pastagem e solo fértil. A arqueologia tem demonstrado que a região é habitada desde o século XXIII a.C.

Postado em 05/04/2026 06:00

Médico pediatra e professor de pediatria na UPE. Estudante de Teologia, com passagens pelo Seminário Teológico Carismático da Igreja Episcopal e, atualmente, pela Associação Memorial de Ensino Superior (AMESPE).

O bálsamo como especiaria e medicamento

O comércio do bálsamo era bem movimentado entre as nações da Arábia, Extremo Oriente e Oriente próximo. O seu peso valia tanto quanto a prata. Diversas plantas produzem uma goma aromática, útil para uso medicinal, tanto para uso local (em ferimentos ou hematomas), como para uso oral, na forma de chá (útil para problemas gastrointestinais). Também era usada (e ainda é) no preparo de alimentos, especialmente peixe salgado (tipo bacalhau), e perfumes e incensos. As plantas que produzem o bálsamo não são nativas da região de Gileade. Algumas são da África, outras da Índia e, a mais famosa na Bíblia, da Arábia.

As sementes da Rainha de Sabá

Quando a rainha de Sabá foi a Jerusalém visitar e provar da sabedoria do Rei Salomão, levou muitos presentes – ouro, pedras preciosas e muitas especiarias, entre elas, sementes e mudas de plantas produtoras de bálsamo. Foi a partir deste tempo que a goma começou a ser cultivada e usada em Israel (por volta do século VII a.C.). Segundo o historiador Flávio Josefo, a rainha levou sementes da Commiphora opobalsamum, de flores brancas em cachos de três, que se adapta bem ao clima árido e pode atingir até três metros de altura. Até hoje a resina desta planta e de outras de sua espécie servem de matéria prima para diversos medicamentos.

A mensagem da Bíblia é que Jesus Cristo é o bálsamo de Gileade. Em momentos de sofrimento espiritual, pessoal ou coletivo, lembrar-se que Jesus Cristo morreu por todos remete à fidelidade de Deus e de seu poder em curar.

O Bálsamo de Gileade

Jeremias, o profeta que chorou a queda de Jerusalém, faz duas perguntas retóricas (v.8.22): “Acaso não há bálsamo em Gileade? Não há médico lá?

Sim, havia o bálsamo e quem o soubesse aplicar para curar as dores e feridas do corpo, mas o que não havia era um povo disposto a ter a alma curada pelo médico dos médicos. Deus queria arrependimento, e o povo não se curvou.

Uma música tradicional americana do século XIX, chamada “There is a Balm in Gilead” diz assim na primeira estrofe: “às vezes me sinto desencorajado, pensando que meu trabalho é em vão, mas então o Espírito Santo vivifica minha alma outra vez” (https://youtu.be/FLQYUTmKwxk?si=L–jVG73-WEo5yAa).

Neste sentido, o bálsamo é a presença e a ação de Deus na vida de quem O busca. A paz que excede todo entendimento, o consolo na tribulação.

O Bálsamo de Gileade nem sempre é uma goma aromática

Como símbolo de esperança e restauração da saúde mental e espiritual, o “bálsamo de Gileade” assume diversas formas: desde um ato de bondade inesperado, uma palavra de encorajamento de um amigo, um momento de introspecção, na capacidade de perdoar e de ser perdoado. 

O conceito pode ser aplicado à cura de comunidades e sociedades que foram feridas por conflitos, injustiças ou desastres.

E, por que não? Um médico que ouve e acolhe, pode ser, ele mesmo, o bálsamo de Gileade.