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Pernambuco, 17 de abril de 2026

Saúde e Fé

Azeite – o ouro líquido

O azeite de oliveira foi o principal óleo vegetal da antiguidade

Postado em 12/04/2026 12:25

Médico pediatra e professor de pediatria na UPE. Estudante de Teologia, com passagens pelo Seminário Teológico Carismático da Igreja Episcopal e, atualmente, pela Associação Memorial de Ensino Superior (AMESPE).

 

Há registros do uso do azeite no Egito antigo (3.000 a 3.500 a.C.) e em Creta (2.500 a.C.). Moisés chegou à Canaã (Palestina), aproximadamente, no ano de 1.440 a.C. e, por observação dos seus espias, nomeou a terra como uma terra rica, “de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel” (Deuteronômio 8:8).

Seu uso, como hoje, era múltiplo, inclusive para cozinhar. Especialmente os pães e bolos eram feitos com a mistura certa do azeite de oliveira e a farinha de trigo. A própria azeitona “in natura” ou em conservas era consumida como alimento. Também era usado como cosmético para ungir o corpo e cabelos; para ungir os mortos, em geral com alguma erva aromática misturada; como sinal de hospitalidade, quando pés e mãos eram lavados e ungidos com azeite; e como combustível para lâmpadas de pavio ou palha.

O azeite como medicamento

Como medicamento, o azeite era esfregado no corpo quando a pessoa estava febril, ou era usado em banhos e na unção de ferimentos (como vimos em coluna anterior, quando o bom samaritano cuidou do homem assaltado na estrada).

Flávio Josefo, historiador do segundo século depois de Cristo, afirma que o azeite, usado em banhos quentes, curava muitas enfermidades, entre elas alguns tipos de Lepra, Estrófulo e Dermatites. Além disso, fazia parte do tratamento de doenças cardíacas e cerebrais (provavelmente por diminuir o ritmo cardíaco e a pressão arterial).

Hoje sabemos que o azeite várias substâncias benéficas à saúde, como o composto fenólico oleaceína e ácidos graxos monoinsaturados, encontrados principalmente no azeite extra virgem. A oleaceína previne o dano oxidativo das partículas de LDL, o que contribui para beneficiar a saúde do coração e vasos evitando a formação de placas de aterosclerose. 

O azeite também tem vitaminas antioxidantes como a vitamina K e E, que ajudam a combater inflamações e doenças crônicas. 

O melhor azeite

Ao contrário do vinho, o melhor azeite é aquele obtido da primeira prensa, “batido e decantado”, e usado tão logo seja possível. O azeite é fotossensível e oxida em contato com o ar atmosférico, por isso deve ser guardado em cântaros lacrados com cera ou mel. Na segunda prensa, é acrescida água ou outros óleos para continuar a extração. Este azeite tem menos acidez e pode, inclusive, ser mais saboroso, mas não tem as mesmas concentrações de polifenóis. O terceiro nível de qualidade é o azeite refinado, usado, basicamente, como combustível ou para preparo de incensos e perfumes.

A conexão entre Jesus e o azeite

Jesus é chamado o Cristo porque é o Messias, o ungido de Deus para ser Profeta, Sacerdote e Rei perfeito perante Deus.

O Jardim do Getsêmani, onde Jesus Cristo orava frequentemente, tem esse nome porque ali ficava a Gat Shemanim, que significa “Prensa de Azeite”. Assim como a azeitona precisava ser esmagada sob o peso da viga de madeira para liberar o óleo, Jesus foi “esmagado” sob o peso do pecado da humanidade e da ira de Deus naquele jardim, pois Lucas nos diz que, enquanto fazia sua última oração antes de ser entregue aos romanos por Judas, Jesus suou sangue (Lucas 22:44).

Na teologia bíblica, o azeite é o símbolo por excelência do Espírito Santo. A conexão com Jesus se dá na plenitude dessa presença, porque ELE é a fonte da luz de Deus e porque trouxe a cura definitiva para o espírito do homem.

Ele é o fruto perfeito da “Oliveira de Israel” que, ao ser esmagado na prensa da cruz, liberou o “azeite” da graça e da cura para todas as nações.