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Pernambuco, 17 de abril de 2026

JS Eleições 2026 Opinião

O “Draft” da Polícia Civil: Justiça ou Calendário Eleitoral?

Adriano Roberto analisa a suspeitíssima operação da Polícia Civil contra o ex-deputado Romero Dias e seu filho

Postado em 16/04/2026 09:44

Jornalista ,


Quando se chega aos exatos 40 anos de cobertura politica em Pernambuco, como eu cheguei, sabe-se que a política aqui costuma ser jogada com cartas marcadas, mas o que vimos nesta semana com a “Operação Draft” o nome da operação (Draft significa “rascunho” ou “convocação”) pode sugerir que esse é apenas o começo de algo maior que pode envolver outros gabinetes ou nomes que ainda estão no rascunho da polícia. Neste primeiro caso, investigando nomes como o do ex-deputado, Romario Dias e seu filho Leonardo levanta um questionamento que vai muito além dos autos do processo. A deflagração de uma ação policial focada em fatos de 2015 a 2019, justamente agora, em pleno abril de 2026, ano de uma forte disputa eleitoral no nosso Estado envolvendo os principais cargos, como do Governo e duas vagas para Senado faz qualquer observador atento perguntar: por que agora?

O Peso da História

Falar de Romário Dias é falar de uma das trajetórias mais sólidas e respeitadas da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ex-presidente da Casa e figura central no equilíbrio político do estado por décadas, Romário sempre foi conhecido pela habilidade no diálogo e pelo trânsito livre entre diferentes correntes. Ao seu lado, Leonardo Dias seguiu os passos na vida pública. São nomes que possuem serviços prestados e um capital político que não se apaga da noite para o dia. Ver tais figuras sob o holofote de uma acusação de “rachadinha” e “funcionários fantasmas” causa, no mínimo, estranheza para quem acompanha a seriedade com que sempre trataram seus mandatos.

Coincidência ou Método?

O que mais chama a atenção não é apenas o alvo, mas o padrão. Não faz muito tempo, vimos a Operação Vassalos atingir em cheio o grupo de Miguel Coelho, outra força política de expressão que se coloca como peça-chave no tabuleiro de 2026. A pergunta que ecoa nos corredores da Alepe e do Palácio é inevitável: estamos diante de um ataque sistemático à base governista e suas lideranças mais proeminentes? É curioso notar como operações que hibernaram por anos – lembremos que a investigação do caso “Draft” teria começado em 2023 – ganham vida e força justamente quando as alianças pré-eleitorais estão sendo seladas.

O Risco da Narrativa

O montante de R$ 2,8 milhões (que alguns já alardeiam como 6 milhões) e a menção a “30 fantasmas” são números que chocam até pelo tempo do ocorrido, mas que precisam ser provados com o rigor que a lei exige. Na política, porém, o julgamento costuma vir antes da sentença. O impacto visual de apreensões de valores e objetos de luxo serve perfeitamente para desgastar imagens construídas ao longo de uma vida inteira.

Pernambuco conhece seus filhos. E quem conhece a política pernambucana sabe que o “timing” de uma operação pode ser tão letal quanto a própria investigação. Se a intenção é limpar a vida pública, que se faça com transparência. Mas se o objetivo for o “draft” (a convocação ou seleção) de quem deve ou não chegar forte às urnas, o prejuízo não será apenas de Romário ou Miguel, mas da própria democracia no nosso estado. Seguiremos atentos.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: existem ainda as “forças ocultas”, tão faladas pelo ex-presidente Janio Quadros, hoje em dia?