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Pernambuco, 30 de abril de 2026

JS Eleições 2026 Opinião

O salto alto e o fantasma de 98: a “onda” de João Campos encontra o rochedo do Interior

Adriano Roberto analisa a disputa acirrada das eleições para governo de Pernambuco e os fantasmas do passado para a Frente Popular

Postado em 29/04/2026 09:13

Jornalista ,

Nas redações e nos corredores políticos de Pernambuco, o clima de “já ganhou” costuma ser o primeiro passo para o abismo. Quem viveu e trabalhou em eleição de 1986 para cá, como este jornalista, sabe que o eleitor do interior não aceita ser coadjuvante do Recife. O que as pesquisas de abril de 2026 começam a mostrar – com a governadora Raquel Lyra (PSD) encostando nos calcanhares de João Campos (PSB) – não é apenas um ajuste de números, é um sintoma de isolamento. O cenário que vemos neste final de abril de 2026, com o estreitamento da distância entre João e Raquel, é a prova de que a eleição para o Campo das Princesas é uma maratona, não cem metros rasos.

O Apoio do Presidente na Terra Natal

Se engana quem pensa que o apoio do presidente Lula a João Campos é um “cheque em branco”. Embora o PT tenha oficializado o apoio ao PSB agora em março, o clima nos bastidores é de uma “neutralidade vigiada”. Lula é grato à lealdade de João, mas o Planalto sabe que Raquel Lyra (PSD) governa um estado estratégico e tem mantido uma relação institucional impecável com o Governo Federal. O fator Gilberto Kassab (PSD) é a grande variável dessa equação. O PSD não é apenas o partido da governadora; é a balança que sustenta a governabilidade em Brasília. Raquel tem usado essa ponte para destravar recursos que o PSB não conseguiu nos últimos anos, como os investimentos pesados na Compesa e em obras de saneamento que ela está “guardando” para entregar no auge da campanha.

O Isolamento da “Patota” vs. o Exército de Raquel

Enquanto João Campos é alvo de críticas internas por privilegiar um núcleo fechado e escantear quadros históricos do PSB (os que carregaram o piano para Arraes e Eduardo), Raquel Lyra joga o jogo bruto da sobrevivência política. A governadora não está apenas entregando obras; ela está montando um exército. Somente no último ano, Raquel trouxe para o seu lado dezenas de ex-prefeitos e lideranças regionais. Para quem acha que a eleição se resolve no Instagram, um aviso: no Sertão e no Agreste, quem manda é a liderança local que tem a chave da prefeitura ou a promessa de uma obra estruturadora. E, hoje, a caneta que assina o convênio está na mão dela, RAQUEL.

A Lição de Jarbas Que o PSB Parece ter Esquecido

O ex-prefeito do Recife tenta nacionalizar a disputa, colando sua imagem à de Lula para garantir o voto “automático”. Mas a história é traiçoeira. Em 1998, Miguel Arraes era o “mito” incontestável do Sertão, e Jarbas Vasconcelos era o “prefeito da capital”. Pois bem: Jarbas não só venceu, como humilhou eleitoralmente o mestre Arraes no seu próprio reduto, com 1 milhão de votos de diferença. O interior cansou da hegemonia da época. E hoje, o sentimento de que “o tempo do PSB passou” começa a ecoar fora da Região Metropolitana. O eleitor percebe quando uma gestão estadual, após um início travado, começa a mostrar a que veio.

As Cartas na Manga: Alianças e Entregas

Todos atores deste pleito, seja da base do governo ou da oposição, sabem que Raquel ainda tem cartas pesadíssimas para jogar. Sob o pragmatismo do PSD, sob a batuta de Gilberto Kassab, a governadora agora tem musculatura nacional e tempo de TV para enfrentar a máquina de propaganda socialista. Além disso, a “fatura” de 2026 ainda está para se completar. Muitas das entregas de infraestrutura hídrica e estradas foram calculadas para este semestre. O impacto visual e prático dessas obras no interior é o que destrói favoritismos de gabinete. João Campos lidera, mas a “folga” virou preocupação. Se o PSB continuar achando que a eleição termina em Jaboatão, pode acordar com o mesmo pesadelo que Arraes teve em 98. A governadora subiu, a rejeição caiu, e o interior, como sempre, é uma incógnita que adora derrubar gigantes.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Se Raquel continuar crescendo e mostrando que “entrega o que Lula anuncia”, o Palácio do Planalto terá que decidir entre o coração (PSB) e o pragmatismo (PSD)?