
Messias: o “naufrágio” dos padrinhos: João Campos e José Múcio
A presença de João Campos ao lado de Jorge Messias o tempo todo não foi apenas um gesto de cortesia; foi uma aposta alta. Para o prefeito do Recife, que hoje navega em águas de favoritismo absoluto, ver seu “afilhado” político ser barrado daquela forma é um balde de água fria na sua capacidade de articulação […]
Postado em 30/04/2026 10:41

A presença de João Campos ao lado de Jorge Messias o tempo todo não foi apenas um gesto de cortesia; foi uma aposta alta. Para o prefeito do Recife, que hoje navega em águas de favoritismo absoluto, ver seu “afilhado” político ser barrado daquela forma é um balde de água fria na sua capacidade de articulação nacional. João Campos queria mostrar que tem trânsito e influência no “clero” de Brasília, mas acabou saindo na foto de uma derrota histórica.
Já o ministro da defesa, José Múcio, o mestre da conciliação, viu sua tese de “pacificação” ruir no painel eletrônico. Ele, que passou semanas nos gabinetes tentando amaciar as arestas, descobriu que o Senado atual não quer mais café com leite; quer sangue. Para o governo, fica o recado: se nem Múcio e João Campos conseguiram dobrar o Senado, a articulação política está em estado de coma.
O STF também perde (e se preocupa)
Pode parecer que o Supremo é apenas um espectador, mas a rejeição de Messias – a primeira em mais de 130 anos – quebra a mística da “deferência”. O Senado descobriu que pode dizer “não” à Suprema Corte e ao Executivo simultaneamente. A cadeira de Luís Roberto Barroso continua vazia e agora se torna um “buraco negro” jurídico. Qualquer próximo indicado terá que passar pelo pedágio caríssimo de quem acabou de derrubar um nome do presidente.
Rei Davi o “Dono da Chave”
Se havia alguma dúvida, ela acabou ontem: Davi Alcolumbre, agora chamado de “Rei Davi” pelos integrantes da oposição, é, hoje, o homem mais poderoso do país. Ele não apenas derrotou Messias; ele humilhou o Planalto ao mostrar que Lula não indica quem quer, mas quem Alcolumbre permite.
A Fatura Vem
Alcolumbre queria Rodrigo Pacheco no STF. Lula não deu. O resultado foi o recado: “Faça a sua parte, que eu faço a minha”. Com o controle absoluto da pauta e a capacidade de mobilizar 42 votos contra o governo em uma votação secreta, Alcolumbre transformou o Senado em um bunker. Ele agora dita o ritmo das reformas, das indicações e, se bobear, até do humor do país e ainda nesta quinta (30) da derrubada dos vetos do presidente.
Como Lula Vai Reagir
O governo Lula agora vive o pior dos mundos: a base “de virula” se mostrou frágil, os aliados de peso saíram chamuscados e o principal interlocutor no Congresso virou um adversário ostensivo. Messias foi o sacrifício, mas o verdadeiro alvo foi a autoridade presidencial.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: A reação de Lula, pelo que se desenha nos bastidores de Brasília neste 30 de abril, será de “geladeira” ou contenção de danos?