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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Agronegócios

Desafios ao agronegócio de Pernambuco

A campanha e o diálogo com os agricultores e pecuaristas

Postado em 30/04/2026 14:33

Colunista

 

O país e o estado de Pernambuco vivem um momento de definição. Em outubro próximo, milhões de eleitores elegerão quem liderará o país, o estado e os representantes nas duas câmaras do Congresso Nacional. A agropecuária tem dado provas de quão importante é para o Brasil por sua ligação direta com o bem-estar social e a segurança alimentar, além de se constituir na principal fonte de exportação do Brasil, conseguindo enviar produtos brasileiros a mais de cem países.

Nas campanhas nacionais e nas estaduais, à exceção dos estados do Centro-Oeste, a agricultura não é um tema primordial. A maioria dos governantes é de origem urbana e quase sempre demonstra uma preocupante falta de conhecimento com o mundo rural. Sendo isto uma comprovação mais do que comprovada, caberá àqueles que fazem o campo e representam as cadeias produtivas do estado avançarem com suas peças e apresentarem demandas que possam ser aproveitadas nos programas de governo. Em se tratando de Pernambuco, algumas questões merecem ser tratadas como estratégicas, de modo que facilitem o desempenho do mandato de quem estará à frente do executivo estadual.

Eficiência no uso das águas, primeiro desafio

Fazer agricultura dependendo unicamente das águas pluviais é um risco permanente e, apesar dos avanços tecnológicos obtidos, os resultados obtidos com culturas anuais no Semiárido são uma aposta anual na quantidade e distribuição das chuvas. Uma vez que o fator mais impactante nesta equação é a água, estruturar um programa de recursos hídricos que priorize o uso eficiente da água e que todos considerem um bem de relevância máxima é algo iminente. Não pela ameaça de se ter um novo ciclo de secas, mas mesmo nos locais onde se disponha de um maior volume de água, que esta seja usada da forma mais rigorosa quanto possível. Não dá para se apostar em desperdícios.

O estado de Pernambuco não conta com aquíferos de grande expressão, mas existem regiões em que a água armazenada no subsolo na forma de aquíferos não tem sido usada de modo adequado, nem o monitoramento das recargas sido realizado. Sem isto, fica difícil planejar e projetar a expansão ou manutenção da área irrigada no estado. Em termos mais claros, os pequenos aquíferos que formam esta linha de águas subterrâneas que se inicia no município de Flores, passa por Betânia, Serra Talhada, Floresta, Carnaubeira da Penha, Mirandiba e São José do Belmonte há de merecer uma atenção em termos de desenvolvimento agropecuário com culturas de alto valor agregado. A região se tornou uma das mais importantes produções de energia fotovoltaica, sinalizando que, por falta de energia, é que os imóveis rurais não deixarão de ter água sendo bombeada para centenas de irrigantes e para atender à demanda hídrica dos rebanhos.

A irrigação de escala nas terras mais próximas ao Rio São Francisco continuará sendo objeto de expansão, mas, sem que se possa contar com o uso das águas superficiais ou profundas em atividades produtivas, compromete-se o desenvolvimento agrário do estado e a saúde financeira da maioria dos municípios.

Pavimentação das estradas vicinais, segundo desafio

A malha de rodovias estaduais a ser mantida ou ampliada não é pequena e alguns trechos continuam demandando uma ação permanente de reparo, a exemplo da PE, que liga a BR-232 ao município de São José do Belmonte e à Jati, primeira cidade do estado do Ceará no sopé da Chapada do Araripe. Também não é de se negligenciar a duplicação da BR-232 no percurso São Caetano – Serra Talhada, ficando claro que o objetivo final é levar a duplicação das rodovias a Araripina e Petrolina.

O que se discute aqui é uma ação complementar aos cuidados com as rodovias. Trata-se de pavimentar cada sede municipal aos principais distritos, o que implicará na modernização da logística de transporte de cargas e pessoas, facilitando o fluxo de mercadorias e o escoamento da produção, quer seja para as feiras municipais, as cadeias de supermercados e de hortifrutis ou na exportação. Existem exemplos de estados que vêm, ao longo dos últimos dez anos, investindo na pavimentação das estradas vicinais, como o Espírito Santo. Com as estradas rurais pavimentadas, o que se viu foi um aumento proporcional de turistas, demandantes por novidades, sejam culinárias, de artesanatos ou aquisição de imóveis, dando uma nova dinâmica ao campo naquele estado.

Apoio ao pequeno e médio produtor, terceiro desafio

O estado de Pernambuco tem sua realidade fundiária distribuída por meio de uma malha de pequenos e médios imóveis em todas as regiões. A maioria das propriedades conta com áreas inferiores a dez módulos fiscais. Este estrato de produtor fica entre um fogo cruzado, o que é importante chamar a atenção. Não é pequeno o suficiente para que sejam acatados como agricultores familiares nem grande de modo a serem vistos como reais atores do agronegócio. O que se sugere é que as instituições do estado sejam instadas a priorizarem políticas de crédito, formação profissional e recursos hídricos direcionados a este público.

Esta sinalização conduzirá os bancos que cuidam do crédito rural a irem em busca de clientes ávidos pelo uso de novas tecnologias e pela mobilidade social, a exemplo daquela maioria silenciosa que aderiu ao celular, à inteligência artificial e à vida urbana. A peça mais importante no ciclo de produção de alimentos é este produtor, e sua presença no campo é estratégica por várias razões que vão além da segurança alimentar, da diversidade da produção e do desenvolvimento das vilas, vilarejos e distritos.

As prioridades não se esgotam aqui, mas é um bom começo se debruçar sobre os temas aqui sugeridos.

Geraldo Eugênio – Professor titular da UFRPE-UAST