
A Melancolia Natalina: Por Que Acontece e Como Evitar?
Daniel Lima Psicanalista, Filósofo e Teólogo Escreve todas as quartas-feira a coluna “Psicanálise no Cotidiano” ,ele inaugura a coluna falando sobre Melancolia Natalina: Por Que Acontece e Como Evitar.
Postado em 09/12/2020 20:39

Daniel Lima Gonçalves – Psicanalista, Filósofo e Teólogo. daniellimagoncalves.pe@gmail.com Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi – GBPSF/ISFN; Estudo Permanente em Psicanálise no Instituto Nebulosa Marginal – INM.
O Natal o é uma época diferente de todas as outras épocas do ano. As festividades acontecem em família e os rituais de comemoração se repetem, são sempre os mesmos, todos os anos. Árvore de Natal, a criançada, Papai Noel, troca de presentes, o parente que não víamos há tempos. Nesse clima somos induzidos a vivenciar as mesmas cenas da época de criança, ou seja: ouvir músicas e rituais da época sob alegação de que é Natal. Vivenciar sonhos e fantasias da infância.
Tudo isso nos deprime e nos dar a sensação de que o tempo passou e poucas coisas boas aconteceram em nossas vidas. A vida não é linear nem estática. Ela é composta de momentos altos e baixos e tudo depende da ênfase, que se dá a cada situação. Fim de ano simboliza encerramento e isso, gera tristeza, apesar de na maioria das vezes ser essa, uma tristeza existencial e, não patológica.
Mudança de Ciclo
No mês de dezembro algumas pessoas ficam eufóricas com a possibilidade de terminar um ciclo para iniciar outro, repleto de possibilidades. O último mês do ano tornou-se época de balanço de vida, Em geral a visão é sempre negativa – perdas não elaboradas e projetos não concretizados. Isso faz a pessoa esquecer suas conquistas, o que às leva à depressão.
Existe aquele que enxerga o fim do ano como uma época melancólica. Segundo especialistas da área, essa sensação é muito mais comum do que se imagina, ela está relacionado ao balanço pessoal, para identificar o quanto avançou em relação às metas, preestabelecidas no início do ano. Essa reflexão nos faz sentir mais pressionados, tristes ou melancólicos. A melancolia de final de ano tem até um nome: “Christmas Blues”.

Foto: Divulgação
Época saudosista na qual as lembranças vem à tona. Sim, existe uma melancolia no ar e a maioria das pessoas não identificam a sua origem. Alguns se queixam da “obrigação” das festas familiares, onde reencontrar aquele parente. Tudo faz lembrar as situações mal resolvidas. É como colocar o dedo na ferida. Outros reclamam a ausência dos falecidos.
É um momento de reflexão sobre nossas limitações, avaliar o que pode ser melhorado ou não e dar um novo sentido à vida. Recomeço e refazimento. A boa notícia é que na maioria das vezes os sintomas e os sentimentos ruins desaparecem logo no começo do novo ano, quando a rotina começa a se normalizar e a vida volta aos trilhos.
Não é preciso querer parecer feliz e satisfeito em todos os lugares, só porque é época festiva. No tradicional balanço de fim de ano consideremos os esforços feitos e os bons resultados obtidos, tanto na vida pessoal, como profissional. Valorizar o empenho de cada objetivo. Claro que é saudável lembrar de bons momentos e até sentir saudade deles.
Todavia, tenhamos sempre em mente que a cada dia temos novas oportunidades de construir novos bons momentos, para serem eternizados na memória. Não permitir que os compromissos dessa época nos afaste de nós mesmos e que os cuidados conosco, é um desafio.
No entanto, se a tristeza natalina se prolongar por meses tornando-se um estado permanente, procure apoio profissional de um psicanalista, psicólogo e/ou um médico psiquiatra. Quando a melancolia leva a pessoa ao isolamento total, ela rouba a vontade de viver, mesmo daquelas atividades que antes pareciam prazerosas, aí é preciso investigar. O agravamento desse quadro pode levar a doenças mais sérias, como a síndrome do pânico, os transtornos de ansiedade e até mesmo a depressão.
Boas festas!
JS Saúde