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Pernambuco, 02 de maio de 2026

Saúde

Esperança e Felicidade. De Daniel Lima para o JS

Daniel fala sobre Felicidade e Esperança, um tema bem apropriado para leitura e reflexão neste Fim de Ano

Postado em 30/12/2020 15:31

Colunista

Daniel Lima Gonçalves – Psicanalista, Filósofo e Teólogo. daniellimagoncalves.pe@gmail.com Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi – GBPSF/ISFN; Estudo Permanente em Psicanálise no Instituto Nebulosa Marginal – INM.

 

“[…] quantas das dificuldades dos pacientes decorrem simplesmente do fato de que ninguém jamais os escutou de maneira inteligente”. (Winnicott, “Variedades de psicoterapia”, 1961, pág. 263)

Responda com sinceridade: o que você quer para sua vida e, mais precisamente, para o próximo ano? Talvez coisas associadas a saúde ou relacionamentos, dinheiro, realização profissional, possibilidade de viagem ou mesmo a resolução de um impasse em qualquer esfera da vida seja para si mesmo ou para outras pessoas.

Qualquer que tenha sido a resposta, certamente o que está por trás dela é a crença de que aquilo que desejamos nos trará satisfação, porém sentir-se bem é uma construção e a felicidade, uma escolha. É o self (Eu) e a vida do self que dão sentido à ação ou ao viver do indivíduo que pode chegar a um desenvolvimento satisfatório.

É curioso quando estamos realmente entregues à sensação de bem-estar, sem a ânsia incômoda de reter essa sensação, mas apenas nos permitindo ficar bem, é como se estivéssemos livres de qualquer vulnerabilidade – integrados, centrados e inteiros. Um fato importante a ser considerado do ponto de vista da neurociência é que a felicidade não é uma coisa que cai do céu ou fruto do acaso. Trata-se de uma construção subjetiva, de modo que o bem-estar não reside naquilo a que temos acesso ou naquilo que vivenciamos, mas sim em como fazemos isso. Sendo assim, é possível aumentar o nosso nível de prazer com a vida.

No entanto, antes de pensar no prazer parece ser importante levarmos em conta a questão do desprazer.

Então, vem a pergunta que não quer calar: por que sofremos? Uma pergunta que gera muitas respostas envolvendo diversos saberes, mas em linhas gerais, é possível considerar um olhar neurocientífico que o sofrimento nasce de um movimento mental duplo: o apego (que é aquilo que consideramos ser a causa de nossa felicidade) e a aversão (o que vemos como razão do sofrimento).

Nos dois caos existe distorção da percepção em relação ao que nos faz bem. Por esta razão é muito comum imaginar que se fôssemos mais ricos, fôssemos mais jovens ou mais bonitos, seríamos mais felizes.

O que a ciência nos mostra é que não é bem assim que funciona, porque quanto mais uma experiência prazerosa por repetida, menos satisfação trará ao longo do tempo, pois a fascinação se dissipa com a repetição. Um exemplo disso é a experiência prazerosa da primeira mordida em um chocolate para quem gosta deste alimento e qual a sensação traz comer a quinta barra do mesmo doce – certamente a satisfação se dissipa.

Este ano fomos pegos de surpresa com a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2. Notícias dolorosas, tristes e muita instabilidade. Medo, ansiedade e pânico, além de um luto coletivo. Um ano de muitas adaptações e cansaço, de tal maneira que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a dizer: “Podemos estar cansados da Covid-19, mas ela não se cansou de nós”.

Todavia, encerramos o ano com notícias animadoras de pessoas sendo vacinadas ao redor do mundo. Então, não percamos a esperança! Como diria o pediatra e psicanalista inglês Winnicott: […] A vida vale a pena ser vivida”. Já está sendo muito falada a questão da saúde mental. Portanto, vale apena colocar como meta para o próximo ano cuidar de sua saúde mental. Afinal, é preciso comprometer-se com o projeto de ser uma pessoa mais feliz.

Feliz Ano Novo!

Nãodêchanceaoperigo

Brinde o novo ano com segurança