
Ano Novo, Rumo Novo Por Daniel Lima
Ele orienta como proceder para que tenhamos um ano diferente
Postado em 06/01/2021 18:07

Daniel Lima Gonçalves – Psicanalista, Filósofo e Teólogo. daniellimagoncalves.pe@gmail.com Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi – GBPSF/ISFN; Estudo Permanente em Psicanálise no Instituto Nebulosa Marginal – INM.
“Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. “Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum” [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e, que pensamento este ano, me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura, de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender, ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. “Amor fati” [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja “desviar o olhar”! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!”
(Friedrich Nietzsche – In: “A Gaia Ciência” – Livro IV, Aforismo 276)
O que esperamos do novo ano que se inicia? É comum iniciar com metas, correções, desejos, esperança, entre outras coisas. Mas o que estamos dispostos a fazer, mudar, melhorar em nós, para nós mesmos a fim de que este ano seja diferente. Até porque se não mudamos atitudes, não podemos ter novos resultados. Não poucas vezes mudamos para agradar uma outra pessoa e raras vezes mudamos para nos melhorar e não para nos tornarmos perfeitos.
Um novo ano sempre está associado a um novo começo, principalmente depois de um ano tão turbulento. Esta é uma reação inevitável de autopreservação pela qual a humanidade passa. O ano de 2020 foi de grandes lições, com uma revelação, para a importância da conexão entre nós a fim de fazer um novo começo, rumo a um bom futuro. Tudo depende da nós! Afinal, até mesmo no uso de máscaras, vemos a realidade disso, nos protegemos, protegendo o outro.
Cabe então a pergunta: Como você encara tudo isso? Você vê o copo meio vazio ou meio cheio? Ser pessimista ou otimista – prefiro a palavra ser esperançoso – em relação à vida é amplamente determinado pela maneira como nosso cérebro funciona e de como é influenciado por nossos genes. Sendo assim, como podemos construir uma abordagem equilibrada para todos os tipos de situações que possam surgir?

Ser constantemente otimista não é o ideal, porque, por exemplo, se não reconhecermos o perigo inerente a uma situação particular, podemos ter problemas. Por outro lado, também não é bom ser sempre pessimista. Precisamos aprender a conectar essas duas tendências de maneira equilibrada, como o positivo e o negativo, em um sistema elétrico. Se olharmos em profundidade, descobriremos que dentro de todo pessimista também há um pouco de otimismo e vice-versa. Estudos mostram que pessoas otimistas tendem a se concentrar no progresso e crescimento, enquanto os pessimistas se preocupam, principalmente, com a confiança e a estabilidade, tomando cuidado, para não tomar decisões arriscadas. A combinação certa das duas tendências, pode nos mover para frente com confiança e segurança, de forma ideal.
Para atualizar nossa perspectiva de vida precisamos, nos conectar, com diferentes tipos de pessoas. Considere o seguinte: não apenas temos dois olhos, mas nosso cérebro também é dividido em dois. A combinação de opostos é necessária para construir um sistema de trabalho completo. Nos últimos anos, essa percepção foi internalizada nos campos da ciência, tecnologia e várias outras inovações. Os projetos mais significativos requerem um alto nível de integração.
Portanto a autocrítica é constante, ou, nos torturarmos para mudar, é inútil. É muito mais produtivo ou proveitoso se concentrar no desenvolvimento de relacionamentos, com outras pessoas, pois isso revela muito de nós mesmos.
Em tal realidade onde estamos nos tornando cada vez mais dependentes, uns dos outros por necessidade, somente se nos complementarmos com garantia mútua poderemos construir um sistema estável, que irá garantir que a humanidade não imploda e vá para a sua ruína – algo que aprendemos a duras penas na pandemia Covid-19.
Um dos desafios da nossa época é aprender a manter a diferença e a singularidade de cada indivíduo, ao mesmo tempo em que construímos laços e estabelecemos vínculos, com outras pessoas, sem querer enquadra-las em nosso padrão. Tal processo abrirá para nós, em nós, emoções novas, integrais, complementares e compartilhadas, que brotará uma nova dimensão de existência que é unidade na diversidade. Desta maneira, a melhor resolução de um Ano Novo é avançarmos para uma conexão mais estreita uns com os outros e, sobretudo, com nós mesmos, pois a maneira como lidamos conosco refletirá no modo de agir com o outro.
