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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Cultura

5C’s, vestuário e acessório: uma marca na cultura de moda colaborativa do Sertão

A estilista Mônica Valéria Costa Caribe, petrolinense, de 51 anos, superou perdas pessoais durante a pandemia acreditando no poder interior da mente. Sem saber quase nada de costura, se reinventou, criou sua própria marca de confecção  com temática sertaneja  e desbrava novos desafios com a economia colaborativa 

Postado em 12/09/2021 2021 07:02 , Cultura. Atualizado em 10/09/2021 15:18

Jornalista , Editor Antônio José em Cultura

A história de Mônica Valéria Costa Caribe, nascida em Petrolina há 51 anos, traz a esperança de que a força interior e o equilíbrio emocional podem juntos superar desafios e perdas, aparentemente difíceis: morte e separação. Como transpor tal realidade, dar a volta por cima, em meio à pandemia do coronavírus e encontrar na arte de confeccionar acessórios como simples aventais de cozinha, sem saber pregar um botão, ou costurar, transformou a vida de Mônica?

A estilista Mônica Valéria Costa Caribe e um de seus aventais da coleção Cuidados/ arquivo pessoal

Pode até parecer clichê, mas aconteceu sim. Com muita determinação e foco em olhar pra frente foi  uma forma que a estilista encarou tais atropelos que a vida pega de surpresa. Pois é. Quando Mônica saiu de Petrolina era criança. Levava consigo boas memórias da cidade sertaneja, assim como de Belém do São Francisco onde também residiu e do Recife, onde estudou e fez faculdade, e finalmente Brasília que acolheu a família para acompanhar a recuperação de um irmão que havia sofrido um acidente e ficou tetraplégico. “O acidente do meu irmão mudou minha vida e de minha família pra sempre, sabe? Nós morremos e renascemos mais fortalecidos”, disse, emocionada.

 

Lá, na capital federal, fez carreira no Sebrae, com Gestão de Pessoas, casou, teve sua filha caçula, criou raízes. Em 2018 se divorciou e em 2019 decidiu que era a hora de voltar pra casa. Foi,então que decidiu pedir demissão voluntária do trabalho e planejar seu retorno para Petrolina para se juntar à família e ao irmão mais velho Caio Cesar Coelho Caribe.

“Brasília me acolheu por 22 anos, mas era preciso retornar”, disse, em entrevista ao Jornal do Sertão, hoje a estilista e entusiasta da economia criativa e proprietária da 5C’s vestuário e acessórios, um ateliê criativo de moda autoral e cultural de Pernambuco.

 “Quando falam que o trabalho dignifica o homem a gente acha poético, mas é tão real.O trabalho me modelou. Fez nascer uma outra pessoa e eu tenho muita gratidão, muito respeito, muita admiração pelo Sebrae Nacional, mas em 2019 eu estava no nível de estresse, de cansaço, de saudade da minha família e algo dentro de mim gritava pra eu voltar para Petrolina”, revelou. “Eu não estava feliz”.

 

A reviravolta por meio da arte

Ocorre que depois de assinado o plano de demissão voluntária, o irmão mais velho de Mônica e braço direito dos pais faleceu na orla de Petrolina. Mônica antecipou sua viagem em cinco dias e daí começou a refletir por que a vida lhe puxava para retornar a Petrolina. ”O universo estava me preparando para estar nesse momento aqui em função dos meus pais, do meu filho, da minha filha, de tudo, da família que meu irmão deixou e tudo começou a fazer sentido”.

Quando se viu em meio a um turbilhão de problemas, em plena pandemia, e precisando buscar algo que lhe inspirasse a retornar ao trabalho, Mônica resolveu criar uma marca de roupa, contratou três pessoas para desenvolver o projeto, comprou equipamentos, aviamentos, montou um pequeno ateliê, mas veio a pandemia. 



“Nesse desespero eu resolvi entrar no YouTube e comecei a estudar. Eu baixei todos os vídeos que eu consegui mapear sobre o pequeno negócio, por exemplo, como passar uma linha na overloque, como aprender a costurar de forma rápida. Estudava 14 horas diárias e em uma das palestras que eu assisti uma professora falou que começar a costurar seria por meio de um avental que é uma costura reta e fácil de cortar,  e de dar acabamento”. 

 

O início das coleções

O próximo passo na trajetória de resiliência da estilista foi juntar todo o material que tinha e iniciar suas coleções. “Eu tinha crepe de seda, jeans, enfim, eu usei tudo que eu tinha em casa e lancei uma coleção com avental de seda misturando couro, misturando lona, misturando tudo que eu tinha e deu certo”, contou, com um tom de voz de felicidade. 

Coleção Cuidados, que traz sua paixão por cozinhar, em exposição na Casa das Arretadas /arquivo pessoal

O resultado da empreitada colaborativa foi o lançamento da primeira coleção 100 % confeccionada por ela. “Foi muito desafiador, mas também muito gratificante. Esse trabalho me colocou de volta ao mundo, me devolveu a vida. Provou a mim mesma que cada peça que vendia era uma estrelinha dentro que nascia e aí deu certo”, revelou.

 

O encontro com a economia criativa

Uma das premissas da 5C’s é estar presente em ambientes com propostas criativas e colaborativas, onde o respeito e a empatia são valores e onde a cultura é um pilar. “Queria muito estar num lugar onde eu pudesse efetivamente fazer muitas trocas e muitas conexões. Então, eu quis fazer parte dessa nova economia que é a economia criativa e colaborativa e pra isso eu tive que me adequar aos seus pilares”, comentou.

Cinco linhas de roupa foram criadas, a partir das coisas que Mônica gosta e admira: praia, cozinhar, casa, curtir a vida, alegria. Desses prazeres surgiram as coleções: Canoa, Cuidados, Casulo, Calçadão e Confete. Para ilustrar suas peças, a designer de moda elegeu cinco ícones da cultura pernambucana e começou a fazer estampa própria. 

As peças da coleção Cuidados remetem quase todas a aventais diferenciados, com pinturas, apliques de personagens da cultura sertaneja como cactus, luar do sertão, vaqueiro, personagens da cultura do Sertão, Luís Gonzaga, peixe, sanfona. “Adoro cozinhar. O avental representa quem cozinha, cuida de alguém, alimenta alguém e serve alguém, talvez seja as tarefas mais importantes na vida” , explicou. Na Casulo, a estilista confeccionou algumas peças de roupa para casa,  confortáveis. A de roupa de passear será calçadão e a de festa, confete, simbolizando alegria. “Muita coisa a desbravar ainda”.

 

Projeto de Inclusão Social

Em seu planos para o futuro próximo está o de construir um projeto junto com outras organizações locais de fomento ao empreendedorismo e inclusão social. Para isso, Mônica está trabalhando junto com o Sebrae do Vale do São Francisco, e Organizações Não Governamentais como a Casa das Arretadas e angariar o apoio de empresas com objetivo único de fazer a diferença naquela região e para as pessoas. “Vamos capacitar pessoas para serem incluídas no mundo produtivo, mexer com a galera local, mudar o contexto de algumas pessoas que não têm oportunidades”, disse. 

 

Serviço 

Instagram @5cs.vestuario_acessori 

WhatsApp: (87) 98142 7458

 

 

Luciana Leão Editora Executiva do JS DIGITAL