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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Economia

O aumento do Custo da Cesta Básica e o empobrecimento das famílias no Sertão

Na coluna de hoje, o economista João Ricardo de Lima fala sobre o aumento da Cesta Básica e o empobrecimento das famílias no Sertão

Postado em 16/02/2021 09:33

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve Quinzenalmente sobre Economia & Negócios.

 

O Custo da Cesta Básica em Petrolina/PE, divulgado mensalmente pelo Colegiado de Economia da FACAPE (Faculdade de Petrolina), registrou um pequeno aumento na comparação do mês de janeiro de 2021 com dezembro de 2020, 0,08%. Os produtos que fazem parte do custo são: carne, leite integral, feijão carioca, arroz, farinha, tomate, pão francês, café em pó, banana, açúcar, óleo de soja e a margarina, seguindo o Decreto-lei 399/1938 e a metodologia utilizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O valor do custo da cesta básica foi de R$ 438,53. Em Recife/PE o DIEESE calculou em R$ 474,22. A capital, na região Nordeste, que tem o menor custo da cesta básica é Aracaju/SE, com R$ 450,84. Deste ponto de vista, morar no interior pode ser considerado “mais barato” do que morar na capital.

Por outro lado, quando se pega um período mais longo de análise, ou seja, se compara com o custo 12 meses antes, em janeiro de 2020, o aumento é de 29%. O preço da carne tem um crescimento de 42%, o feijão de 56%, o arroz de 81%, o óleo de soja de 113%, a farinha de 30% e o açúcar de 29%. Estes são a base dos alimentos consumidos diariamente pela população e seus preços têm subido muito mais do que a renda das famílias sertanejas, que em sua grande parte recebe cerca de um salário-mínimo (reajustado em 5,26%). Para enfrentar este período difícil os economistas sugerem em primeiro lugar que se faça pesquisas de preços. Isto realmente é importante pois existe muita discrepância entre os estabelecimentos comerciais e marcas. O leite teve uma diferença de 218% entre o menor valor encontrado e o maior valor; o feijão de 153%, o arroz de 197%, a margarina de 243%, a carne de aproximadamente 45%. Em suma, todos os produtos apresentaram muita diferença. Uma outra possibilidade é fazer substituição naquilo que for possível, procurando os menores preços.

A reação das pessoas frente às sugestões dos economistas varia entre a descrença e o deboche, mas é totalmente compreensível.

Em grande parte, muitas já passaram da etapa de fazer substituição de produtos ou procurar mais baratos, estão chegando no momento de simplesmente não poder mais comprar aquela mercadoria, por falta de renda disponível, dado que não são apenas os alimentos que têm sofrido reajustes. O que se vive, no período mais recente, é um processo contínuo de empobrecimento das famílias, seja por redução da renda via aumento do desemprego, seja por perda de poder aquisitivo com reajustes abaixo da inflação.