Quem acompanha o vai e vem das campanhas pelo interior de Pernambuco sabe que o ritmo de carreata e aperto de mão costuma seguir um roteiro próprio de assuntos locais. Mas há momentos em que a gravidade de Brasília se impõe, e este é exatamente o caso. A crise institucional deflagrada no Supremo Tribunal Federal, que culminou em sessões plenárias canceladas e na convocação extraordinária do presidente Edson Fachin para a próxima terça-feira (15), colocou o assunto nacional na lista de mais importante e os comandos eleitorais do estado em regime de prontidão e prudência.
O embate sem precedentes que colocou os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino em rota de colisão frontal, com ordens cruzadas sobre a cúpula da Polícia Federal e apurações ligadas ao caso Banco Master, ultrapassou o teto do Judiciário. A menos de um mês do primeiro turno, o plenário de terça-feira não vai apenas deliberar sobre pedidos de investigação ou competências internas: vai calibrar o termômetro político da reta final. E em Pernambuco, onde as disputas para o Governo do Estado e o Senado estão rigorosamente polarizadas, ninguém quer queimar a largada.
Nos bastidores da campanha de João Campos (PSB), o clima é de máxima atenção. A associação direta ao palanque federal e a Lula é um dos motores da oposição estadual. Contudo, em meio a uma convulsão que envolve o Planalto, a Advocacia-Geral da União e as instituições de segurança, qualquer derrapada retórica nos discursos ou no guia eleitoral pode cobrar caro. Lembrando que na pesquisa da DataTrends divulgado hoje, (11/09) aponta Raquel Lyra (PSD) na liderança com 46% das intenções de voto estimuladas, contra 36% de João Campos (PSB). A ordem nas coxias socialistas é manter o foco na agenda regional, evitando ser arrastado para uma guerra institucional que mais gera ruído do que votos na urna.
Na ponta oposta, o palanque governista de Raquel Lyra (PSD) encontra no caos da capital federal uma janela estratégica. Enquanto Brasília monopoliza as atenções com crises de gabinete, o Palácio do Campo das Princesas acelera o passo pelo Sertão e pelo Agreste com entregas administrativas e costuras municipais. Para quem detém a máquina estadual, a blindagem da pauta local é um ativo valioso: quanto mais distante a eleição parecer do tiroteio de Brasília, mais sobressaem as obras e os apoios de prefeitos consolidados no interior.
Já para o campo conservador e os candidatos ao Senado, em especial na órbita de Mendonça Filho (PL), a sessão de terça-feira é uma faca de dois gumes. O avanço de questionamentos à cúpula do Judiciário alimenta as redes e inflama a base bolsonarista, servindo de combustível para a reta final. Por outro lado, um eventual freio de arrumação institucional comandado por Fachin pode desidratar o discurso de confronto.
Por ora, a determinação dos marqueteiros e coordenadores de campanha em Pernambuco é de “segurar a pólvora”. Panfletos mais incisivos, inserções de rádio e TV de confronto direto e ataques ao adversário foram postos em banho-maria. Até que o plenário do STF termine sua sessão extraordinária na terça-feira, a campanha pernambucana segue na rua, mas de olhos fixos no relógio de Brasília.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: As decisões de terça no STF podem atingir diretamente as campanhas locais em Pernambuco?










