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Nem projeto, nem visão de futuro: o debate na Band mostrou o vazio do eleitorado brasileiro

O primeiro confronto direto do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nos estúdios da Band escancarou um diagnóstico incômodo para o país: a política brasileira segue refém de um passado reeditado e de uma retórica de lacração que ignora as urgências reais da população.

Durante mais de duas horas de transmissão, o que se viu na tela não foi uma discussão de diretrizes econômicas ou metas de desenvolvimento para os próximos anos. O eleitor assistiu a uma troca incansável de acusações cruzadas, resgates de escândalos passionais ou familiares e contorcionismos narrativos que pouco dizem sobre o rumo que o país tomará a partir do ano que vem.

A nostalgia do espelho é a tática do ataque pessoal

Lula subiu ao palco apostando na fórmula de sempre: evocar o histórico de suas gestões anteriores e números passados de crescimento para tentar vender estabilidade. O problema é que governar não é um ato de olhar pelo retrovisor. Ao se apoiar na retórica de retrospecto e adotar um tom reativo contra os ataques da oposição, o presidente deixou de apresentar propostas concretas sobre como pretende modernizar o país em um cenário global e fiscal cada vez mais complexo.

Já Flávio Bolsonaro apostou em um roteiro desenhado para as redes sociais. Entre provocações sobre casos de corrupção, menções a investigações familiares e tentativas ostensivas de desconcentrar o adversário no palco, o senador expôs o calcanhar de Aquiles de seu campo político: a dificuldade em articular propostas sólidas para áreas centrais da administração pública, preferindo operar no terreno da rejeição e da guerra cultural.

O grande perdedor: o eleitor indeferido

A saúde pública virou palco para bravatas sobre indicar executivos do setor privado sem explicar a sustentabilidade do SUS; a segurança pública foi reduzida ao debate estéril sobre saidinhas e votos em presídios; e os dilemas da economia nacional foram soterrados por disputas de narrativa estatística e dados distorcidos.

Em vez de saírem com clareza sobre planos de governo, os brasileiros fecharam a noite com a amarga sensação de que a polarização se tornou um fim em si mesma. O debate na Band serviu como um retrato fiel da política contemporânea: muito barulho, cortes prontos para o WhatsApp e o TikTok, mas pouquíssima substância.

Se este primeiro embate dá o tom da reta final do segundo turno, a escolha do eleitorado não será sobre quem apresenta o melhor caminho para o Brasil, mas sim sobre qual desgaste e frustração ele prefere tolerar nos próximos quatro anos.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Na sua opinião quem se deu melhor no debate da Band, Lula ou Flávio?

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