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Criação de tilápia no Velho Chico fortalece economia sertaneja

 

 

A Cooperativa Agro-Aquícola de Pernambuco (CAAP) encontrou no cultivo do peixe em tanques redes o sustento para mais de 150 famílias no Sertão do São Francisco

Em pleno século XXI muitas pessoas ainda acreditam que o sertão tem apenas terra batida e seca. Um ledo engano. Nos municípios de Petrolândia e Jatobá encontramos uma realidade bem diferente, às margens do Rio São Francisco, a população vive da piscicultura, ou seja, cultivo de peixe em água doce e , por meio da Cooperativa Agro-Aquícola de Pernambuco (CAAP) encontraram na criação da tilápia em tanques redes, o sustento para as suas famílias. 

Fundada em 1998 e voltada inicialmente para o setor agroavícola, a Cooperativa Agro-Aquícola de Pernambuco ampliou em 2012 sua atuação para mais setores ligados ao Cooperativismo: piscicultura e caprinocultura. 

Segundo o gerente comercial, Mauro Marques da Silva,  atualmente a cooperativa é composta por nove CNPJs.  “A CAAP tem hoje nove associações trabalhando juntas, oito são de piscicultura e uma de caprinos. A nossa diretoria é formada por três associados de cada associação e envolve em média 150 famílias”, contou.

Sendo uma região muito forte no sistema de trabalho por associativismo, os piscicultores associados resolveram se unir para fortalecer o segmento. “Foi dessa união que surgiu a nossa cooperativa. Recebemos desde o início o incentivo tanto da prefeitura de Petrolândia como do Governo de Pernambuco, para organizar a documentação e principalmente para montar os tanques redes e passarelas para criação da tilápia, um peixe bem aceito no mercado”, explicou. 

A experiência com os erros

Mas, como nem tudo são flores, como diz a letra da música do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, a CAAP ainda está em processo de tramitação para integrar a lista de Cooperativas da Organização Brasileira de Cooperativas, seccional PE. 

Isso porque, segundo o gestor da CAAP, no passado a cooperativa não teve êxito e expertise quando apresentou um primeiro projeto para criação de uma unidade de beneficiamento e implantação de um frigorífico, que agregaria valor econômico ao trabalho. 

“Nós fizemos o projeto, recebemos inclusive recursos, que foram devolvidos, porque o Banco Mundial que financiaria o projeto, detectou alguns erros, por isso nosso sonho foi adiado”, revelou  Mauro Marques da Silva. 

Mauro Marques, gerente comercial da Cooperativa acredita que o mercado vai aquecer/arquivo pessoal

Apesar das dificuldades iniciais, a  CAAP não desistiu dos seus planos e recentemente contratou um novo projetista para modificar o primeiro projeto e adaptar às exigências do Banco Mundial. “Assim que estiver concluído voltaremos a encaminhar a solicitação e se tudo der certo em breve estaremos no mercado formal, distribuindo tilápia para todo o país”, afirmou, em tom categórico, o gerente da CAAP.  

Mercado e resiliência

Como ainda está em fase de processo de se associar a OCB-PE, a CAAP e seus cooperados vendem a produção de cerca de 140 toneladas por mês para comerciantes em geral que chegam de vários estados do Nordeste.

A criação da tilápia obedece todas as normas exigidas pelo Ministério da Agricultura, sendo colocados cerca de mil alevinos, de 30 gramas cada um, nos tanques redes no rio São Francisco. A cada ciclo de seis meses, quando a espécie atinge o peso ideal exigido pelo mercado, que pode chegar a mais de um quilo, as espécies podem ser comercializadas e são vendidas in natura. “Recebemos encomendas do Ceará, Paraíba, Bahia, Sergipe e aqui de Pernambuco”, disse Mauro Marques.

Cada associação de produtores tem em média 60 tanques que abrigam 1000 tilápias. Porém, durante a pandemia, a produção caiu pela metade. “O mercado foi bastante atingido, mas estamos retomando o crescimento e em breve vamos vender mais”, avalia.

Em tempos normais, sem pandemia, cada família conseguia ter um faturamento em torno de R$ 2 mil.  ” Hoje, esse valor não chega a um salário mínimo”, comentou. “Todos os cooperados seguem acreditando que a economia voltará a aquecer. E, em breve, receberemos a notícia que o projeto da unidade de beneficiamento será aprovada e financiada. Aí ninguém segura nossa cooperativa”, finalizou, reafirmando a fé, tão peculiar do sertanejo.

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